A Jirétour’s Mobiliário Escolar, empresa angolana liderada por Dilson António, pretende consolidar a produção nacional de mobiliário escolar e alargar a sua presença a outros mercados africanos, apostando na inovação, na ergonomia e na integração de tecnologias aplicadas à educação.

Com capacidade instalada para produzir até 2.500 carteiras por dia, a empresa procura afirmar-se como uma referência africana no sector. A sua estratégia de crescimento assenta na combinação entre produção nacional, desenvolvimento tecnológico e conhecimento das necessidades das escolas angolanas.
A Jirétour’s iniciou a actividade em 2016, quando os seus fundadores decidiram pôr fim à dependência excessiva das importações, marcadas por custos elevados, prazos de entrega prolongados e constrangimentos logísticos que afectavam o fornecimento de mobiliário ao sistema educativo.

Um dos momentos mais marcantes da trajectória da empresa ocorreu em 2022, com a participação num concurso público que resultou na entrega de cerca de 210 mil carteiras ao Ministério da Educação, num contrato avaliado em 10 mil milhões de kwanzas.

A operação, executada ao longo de quase um ano, exigiu uma estrutura logística capaz de coordenar entregas em vários municípios e constituiu uma demonstração da capacidade produtiva e operacional da empresa.
Além do Ministério da Educação, a Jirétour’s conta entre os seus clientes instituições privadas de ensino, como o Colégio Elizângela Filomena, o Talatona Kids, o Real Século XXI, a Escola Portuguesa de Luanda e o Colégio São Francisco de Assis.

Desde os primeiros anos de actividade, a empresa adoptou uma estratégia de proximidade com as instituições de ensino. Foram realizados levantamentos sobre as necessidades das escolas em diferentes províncias, analisados os modelos de carteiras mais utilizados e recolhidos contributos de professores e gestores escolares.
O objectivo era desenvolver produtos adaptados às condições das salas de aula angolanas, com particular atenção à resistência, à funcionalidade e à ergonomia.

A ergonomia constitui, aliás, uma das áreas centrais desta aposta, tendo em conta os problemas associados ao uso de mobiliário escolar inadequado, como dores de coluna, fadiga e dificuldades posturais.

A empresa procura, por isso, desenvolver soluções que contribuam para melhores condições de aprendizagem e de concentração dos alunos.

Inovação e tecnologia
A inovação integra igualmente a estratégia da Jirétour’s. Desde 2018, a empresa dispõe de um Núcleo de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico (I&DT), constituído por técnicos dedicados à criação de novos produtos e à incorporação de soluções tecnológicas no mobiliário escolar.
Segundo Dilson António, o núcleo tem sido determinante para o desenvolvimento de conceitos de mobiliário inteligente, incluindo peças com conectividade, suportes para dispositivos digitais e soluções destinadas a facilitar aulas interactivas e o uso pedagógico da tecnologia.

A capacidade de inovação permitiu ainda diversificar a oferta de acordo com as diferentes faixas etárias, em sintonia com a intenção de responder às necessidades específicas de cada nível de ensino.
A experiência acumulada levou também a Jirétour’s aos mercados regionais, através de revendedores. Em 2019, os seus produtos chegaram a Kinshasa, na República Democrática do Congo, e a Brazzaville, na República do Congo.
Actualmente, a empresa prepara processos de certificação de qualidade com o objectivo de retomar e ampliar a presença nos mercados externos, no quadro da ambição de transformar a produção angolana de mobiliário escolar numa actividade de alcance regional.
Produção, sustentabilidade e qualidade
A capacidade competitiva da empresa passa igualmente pela modernização dos processos produtivos. A Jirétour’s utiliza linhas mecanizadas, incluindo máquinas de dobra automáticas e uma linha de pintura electrostática a pó, processo que permite obter acabamentos mais resistentes e reduzir o impacto ambiental.

Ao longo dos anos, a empresa redesenhou o fluxo produtivo para racionalizar os tempos de fabrico, reduzir desperdícios e reforçar o controlo de qualidade em todas as etapas, desde a selecção da matéria-prima até à embalagem e ao transporte.
No domínio da sustentabilidade, a empresa privilegia matérias-primas locais, como a madeira, o ferro e o polipropileno, procurando reduzir a dependência das importações e contribuir para o desenvolvimento das cadeias de fornecimento nacionais. A adopção de processos menos poluentes e a busca de maior eficiência energética fazem igualmente parte da estratégia.
A Jirétour’s assegura ainda um serviço integrado, que inclui fabrico, fornecimento e transporte. Esta capacidade foi particularmente posta à prova durante a execução do contrato de 2022, que exigiu a coordenação de entregas em diferentes municípios e reforçou a importância dos sistemas de gestão de stocks, da logística e das parcerias com transportadores locais.
Impacto social e compromisso com a Educação
Para além da actividade empresarial, Dilson António defende que a Jirétour’s tem uma responsabilidade para com a melhoria das condições de ensino em Angola.
“O nosso compromisso vai além da fabricação de móveis; é um propósito social que visa transformar o ambiente escolar e melhorar a qualidade do ensino ao serviço da educação”, afirma o empresário.

Neste contexto, a empresa tem defendido maior atenção ao ensino pré-escolar e à primeira infância, por considerar o investimento nesta fase uma das bases do desenvolvimento das etapas educativas seguintes.
Entre as iniciativas de responsabilidade social destaca-se a construção da Escola do Ensino Primário e Secundário do Centro de Acolhimento Luther Rescova, em Viana.
O projecto, inaugurado a 29 de Setembro de 2024, valeu à Jirétour’s Investimento e Empreendimento o Prémio Forbes Responsabilidade Social 2025, na categoria Comércio e Indústria.

Com uma trajectória iniciada há uma década, a Jirétour’s procura agora transformar a experiência acumulada numa plataforma de crescimento, aliando capacidade industrial, inovação tecnológica e compromisso social, para responder às necessidades do sistema educativo angolano e conquistar novos mercados em África.



