A Turkish Airlines pôs fim, de modo irrevogável, às suas ligações aéreas a Luanda, numa conjuntura em que o recém-inaugurado Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto continua sem lograr atingir os volumes de tráfego que o Executivo angolano havia inicialmente projectado.
A companhia otomana, que em finais do Verão apresentara a suspensão da rota como medida transitória — com reactivação prevista para o termo do mês de Outubro, invocara na altura a onerosidade dos custos de combustível como justificação principal.
A pausa anunciada viria, contudo, a revelar-se prenúncio de um afastamento definitivo, decisão que abrange igualmente outras rotas regionais operadas pela transportadora, nomeadamente para Juba, Kinshasa, Libreville e Lusaka. Até à data da retirada, a Turkish Airlines assegurava a ligação ao mercado angolano mediante um esquema triangular com escala em Kinshasa, integrando Luanda na sua rede mundial a partir do hub de Istambul.
O desinvestimento da transportadora turca vem juntar-se a um movimento mais amplo de retracção por parte de operadores internacionais, numa fase que se afigura particularmente melindrosa para a consolidação da nova infra-estrutura aeroportuária.
Erguido pela empresa pública chinesa Aviation Industry Corporation of China, o aeroporto dispõe de capacidade instalada para processar até 15 milhões de passageiros/ano, registando não obstante uma subutilização assinalável desde a conclusão da transferência integral do tráfego comercial, ocorrida em Março último.
Não obstante o recuo da Turkish Airlines, a capital angolana continua servida por transportadoras de referência — casos da TAAG, TAP, Air France, Lufthansa, Royal Air Maroc, Emirates, Ethiopian Airlines, Qatar Airways e Airlink.
A gestão aeroportuária mantém, apesar de tudo, uma postura de moderado optimismo, reiterando como meta a captação de quatro milhões de passageiros até 2026.
De acordo com dados avançados pela Direcção de Planeamento e Qualidade da concessionária, a concretização de tal objectivo ficará dependente, em larga medida, da capacidade de angariar novas parcerias com companhias aéreas e de reter as operações internacionais já hoje presentes no mercado angolano.



