O presidente executivo do Standard Bank, Sim Tshabalala, alertou a África do Sul contra políticas que restrinjam excessivamente a imigração.
Segundo afirmou, os migrantes sustentam a procura interna, pagam impostos, abrem empresas e ajudam a colmatar a escassez de mão-de-obra no mercado de trabalho. Tshabalala apontou o Brexit como prova de que limitar a circulação de pessoas pode acarretar custos económicos significativos, afirmando que este reduziu o produto interno bruto do Reino Unido entre 6% e 8%, diminuiu o investimento em 13% e aumentou o desemprego em cerca de 4%, em comparação com um cenário em que a Grã-Bretanha tivesse permanecido no bloco europeu.
O responsável do Standard Bank sublinhou ainda que os migrantes alugam habitação, compram alimentos, utilizam transporte público e privado, pagam propinas escolares e criam pequenos negócios que podem empregar população local.
O Standard Bank é o maior banco de África em activos, totalizando 3,6 biliões de rands, o equivalente a cerca de 218 mil milhões de dólares à taxa de câmbio divulgada pelo banco no final de 2025. Registou um lucro líquido de 49,2 mil milhões de rands, cerca de 2,7 mil milhões de dólares, durante o ano. O grupo opera em mais de 20 mercados africanos, posicionando-se no centro do comércio, do investimento e dos fluxos de capital entre a África do Sul e o resto do continente. O Standard Bank autodenomina-se o maior banco do continente em activos.
As declarações surgem num momento em que a África do Sul enfrenta novas manifestações e pressão política relacionadas com a imigração ilegal e com o acesso de estrangeiros ao emprego e aos serviços públicos.
O antigo Presidente sul-africano Kgalema Motlanthe afirmou, no mesmo seminário, que o fraco crescimento económico e as falhas de governação — e não a migração em si — estão a alimentar a raiva e a violência xenófoba no país.
Por seu lado, o presidente do grupo MTN, Mcebisi Jonas, defendeu argumento semelhante, sustentando que os problemas económicos estruturais da África do Sul persistiriam mesmo que todos os migrantes deixassem o país. Jonas atribuiu essas dificuldades ao crescimento fraco, à educação inadequada, à má governação e às falhas de infra-estruturas, salientando que a mão-de-obra migrante contribuiu historicamente para o desenvolvimento dos sectores da mineração, da agricultura e do comércio sul-africanos.



