A Galp anunciou a nomeação de Saave Nakashole para o cargo de deputy country manager para os assuntos públicos e operacionais da subsidiária na Namíbia, num movimento que reforça a estrutura de liderança local da petrolífera. A executiva transita da NAMCOR, a petrolífera estatal namibiana, onde trabalhou durante 14 anos, trazendo experiência em geociência, desenvolvimento upstream e avaliação de activos.
A nomeação surge num momento particularmente sensível para a operação da Galp no país. A empresa portuguesa é responsável, desde 2012, por uma das maiores descobertas de petróleo em águas profundas dos últimos anos: o complexo Mopane, na bacia offshore de Orange, com um potencial estimado em 10 mil milhões de barris equivalentes de petróleo. Em Dezembro de 2025, a Galp fechou um acordo de troca de activos com a francesa TotalEnergies, que passa a operar a licença de Mopane (PEL 83), onde a Galp mantém 40%, enquanto a petrolífera portuguesa reforça a exposição ao vizinho projecto Venus, com participações nas licenças PEL 56 e PEL 91. Está prevista para 2026 uma nova campanha de exploração e avaliação com três poços, além de uma decisão final de investimento sobre Venus.
É precisamente neste contexto de intensificação da actividade operacional e de relacionamento com as autoridades namibianas que ganha relevância a nomeação de Nakashole. A própria NAMCOR — de onde a executiva chega — é parceira da Galp nos consórcios de Mopane e Venus, com uma participação de 10% em ambas as licenças, o que reforça a leitura de que a empresa procura alguém com conhecimento profundo tanto do regulador e do parceiro estatal como do tecido institucional namibiano, numa fase em que a diplomacia energética e a gestão da relação com o Governo ganham peso crescente.
Segundo a Galp, a nova responsável terá como missão apoiar a agenda de relações institucionais e operacionais da Galp Namíbia, contribuindo para o desenvolvimento das actividades da petrolífera no país. A empresa sublinha que a nomeação reflecte o compromisso com a valorização de conhecimento local, a colaboração com as instituições namibianas e uma operação responsável e sustentável no sector energético.
Nakashole é geocientista de formação. É licenciada em Geologia e Ciências Ambientais pela University of Namibia, tem formação complementar em Geologia pela Rhodes University e mestrado em Petroleum Geosciences pela Heriot-Watt University. Detém ainda um certificado em gestão de projectos e concluiu o Senior Management Development Programme na University of Stellenbosch. Ao longo da carreira, trabalhou com instituições governamentais, operadores internacionais e parceiros de joint venture, tendo sido membro do conselho da Namibian Petroleum Operators Association (NAMPOA).
De referir ainda que a Galp tem uma ligação indirecta a Angola: através da Sonangol, que controla a 100% a holding neerlandesa Esperaza, detentora de 45% da Amorim Energia — a accionista de referência da Galp, com 33,34% do capital —, o Estado angolano detém uma participação indirecta de cerca de 15% na petrolífera portuguesa. Essa ligação tem também expressão na governação da empresa: desde 2019, a Sonangol passou a indicar directamente um administrador seu — e não apenas um representante externo, como sucedia antes — para o conselho de administração da Galp, com a petrolífera angolana a justificar a decisão pela necessidade de um “acompanhamento mais próximo” de um activo considerado estratégico para a diversificação do seu portefólio internacional.



