O Governo nigeriano anunciou a descoberta de uma província mineral polimetálica em Kaduna, com depósitos de metais do grupo da platina, ouro, níquel, cobre, lítio e elementos de terras raras, confirmada pela Agência Geológica Nigeriana. Segundo o Ministro do Desenvolvimento de Minerais Sólidos, Dele Alake, o Governo revogou mais de 3.000 títulos de mineração inactivos e exige agora planos de valorização local aos novos requerentes de licenças. A reforma já atraiu 800 milhões de dólares em projectos de processamento de lítio e uma fábrica de 600 milhões de dólares no Estado de Nasarawa.
O anúncio ganha outra leitura quando confrontado com Angola, e a razão não é arbitrária: os dois países disputam, há anos, a liderança petrolífera da África Subsaariana — Angola é actualmente o maior produtor do continente, com 1,17 milhões de barris diários em Junho, contra 1,15 milhões da Nigéria, uma posição que tem alternado entre ambos nos últimos meses — e são também as duas maiores economias da região a seguir à África do Sul, com a Nigéria nos 377,37 mil milhões de dólares de PIB e Angola nos 152,35 mil milhões, dados apurados pela Líder Magazine. Esta paridade de peso económico e petrolífero é precisamente o que torna a corrida aos minerais críticos um confronto natural entre os dois: tratam-se das duas economias subsaarianas com mais a perder se a transição energética global reduzir a procura por petróleo, e por isso também as mais motivadas a garantir uma posição cedo na cadeia de fornecimento dos minerais que vão substituir os combustíveis fósseis nas próximas décadas.
É nesse confronto que Angola já leva avanço. A entrada em funcionamento da mina de cobre de Tetelo, no Uíge, é simbólica da entrada do país na cadeia global de matérias-primas críticas, e realizou as primeiras exportações significativas de concentrados em Janeiro de 2026. No Huambo, o projecto Longonjo — uma das maiores fontes mundiais de neodímio e praseodímio, elementos essenciais para ímanes de alta resistência usados em veículos eléctricos e turbinas eólicas — prepara-se para arrancar com a produção ainda em 2026. A previsão é de cerca de 4.600 toneladas anuais de óxidos de terras raras numa primeira fase, com possibilidade de expansão para 10.000 toneladas, e estudos recentes apontam que o potencial do depósito pode ser cinco vezes superior ao inicialmente estimado, ultrapassando os 1.000 milhões de toneladas.
O projecto tem ainda peso financeiro nacional: o Fundo Soberano de Angola controla 24% da Ozango Minerais, subsidiária angolana da britânica Pensana, sendo também o maior investidor da própria Pensana, cotada em Londres. A infraestrutura reforça a vantagem competitiva angolana — Longonjo está ligado ao Corredor do Lobito, que encurta em 273 km de carris a distância até ao porto do Lobito, e beneficia de energia limpa da barragem de Lauca. Em Março, a Cascade Natural Resources aumentou o investimento estratégico para 165 milhões de dólares, desbloqueando ainda um pacote de dívida de 160 milhões de dólares do banco sul-africano ABSA, garantido pelo US EXIM Bank.
A aposta angolana vai além do Huambo: o interesse de investidores estrangeiros tem-se redireccionado de projectos diamantíferos para cobre, lítio, cobalto, níquel, manganês e terras raras, num total que já excede 400 concessões. Angola aderiu ainda a um Acordo-Quadro liderado pelos Estados Unidos sobre minerais críticos — o mesmo tipo de interesse internacional que a descoberta em Kaduna procura agora atrair para a Nigéria, numa corrida onde as duas potências petrolíferas do Atlântico africano disputam a mesma transição que pode definir, dentro de uma década, qual delas lidera de facto a região.



