O economista Carlos Lopes, antigo Secretário Executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para África e professor na Universidade da cidade do Cabo, defendeu em entrevista ao Jeune Afrique que as transformações reais do continente africano exigem visão de longo prazo e não se compadecem com os ciclos eleitorais.
Um dos paradoxos que o economista destaca é que cada ponto de crescimento do PIB produz, em média, apenas 0,04 pontos de emprego assalariado na África subsaariana — um dado que ilustra como as economias africanas crescem sem conseguir absorver a sua população activa.
Para Carlos Lopes, este paradoxo não é uma fatalidade, mas o resultado de décadas de ausência de transformação estrutural, numa região cujas economias continuam excessivamente dependentes das matérias-primas.
Na sua análise das relações entre África e Europa, o economista bissau-guineense argumenta que o problema é estrutural e não apenas de implementação.
Na sua perspectiva, o que é apresentado como “solidariedade” torna-se, na prática, uma dissuasão inconsciente da mudança, financiando sintomas — pobreza, vulnerabilidade, dependência — em vez dos motores estruturais de produtividade.
Tendo observado ao longo de três décadas como os sucessivos “novos começos” de parcerias se revelaram idênticos na sua arquitectura, o economista conclui que a transformação de África é uma maratona — e que só uma visão estrutural de longo prazo poderá mudar o rumo do continente.



