Angola figura entre as economias africanas com maior exposição ao Fundo Monetário Internacional, numa lista encabeçada pelo Egito e que inclui igualmente a Costa do Marfim, o Quénia e a República Democrática do Congo.
De acordo com dados da instituição financeira sediada em Washington, o Egito mantém-se como o maior devedor africano do FMI, com uma dívida de 7,24 mil milhões de Direitos de Saque Especiais (DSE).
A Costa do Marfim surge em segundo lugar, com 3,60 mil milhões de DSE, seguida pelo Gana, pelo Quénia, por Angola e pela República Democrática do Congo.
A presença de Angola nesta lista reflecte o recurso do país ao financiamento externo do FMI nos últimos anos, no âmbito dos esforços de estabilização macroeconómica e de consolidação das finanças públicas. O contexto de volatilidade dos preços do petróleo — principal fonte de receitas do Estado angolano — tem condicionado a trajectória da dívida externa e a dependência de mecanismos de apoio internacional.
No que respeita ao Gana, o FMI concluiu a 15 de Maio a consulta do Artigo IV de 2026 com Acra, tendo chegado a um acordo a nível técnico sobre a sexta revisão do programa de Crédito Ampliado do país, assim como sobre um novo Instrumento de Coordenação de Políticas com duração de 36 meses. As obrigações ganesas junto ao Fundo ascendem actualmente a cerca de 3,74 mil milhões de dólares, valor que aumentou na sequência de entradas adicionais no âmbito do programa em vigor.
A instituição elogiou a trajectória de melhoria da dívida ganesa e registou uma redução acentuada do rácio dívida/PIB do país em 2025, mas alertou que as reformas estruturais devem prosseguir para consolidar os ganhos alcançados.
Para Angola, o desafio permanece semelhante: gerir o peso da dívida externa num ambiente de transição económica, enquanto o Governo aposta na diversificação da economia e na redução da dependência das receitas petrolíferas para assegurar uma trajectória fiscal mais sustentável.



