O resultado líquido agregado dos 20 bancos comerciais angolanos analisados totalizou 253,39 mil milhões de kwanzas no primeiro trimestre de 2026, uma redução anual de 28,71 mil milhões de kwanzas face ao período homólogo, segundo um estudo de acompanhamento trimestral da banca angolana da autoria de Ivan Paulino Gaspar Santareno, economista, analista de investigação e especialista em análise de dados económicos com experiência no sector bancário e formado pela Universidade Católica de Angola.
Segundo o especialista, a moderação reflecte a queda dos resultados de 30% dos bancos analisados, com destaque para o BAI, que registou uma contracção de 39%, ao passar de 101,56 mil milhões para 62,17 mil milhões de kwanzas, e para o BFA, que recuou 10%, de 64,37 mil milhões para 58,02 mil milhões de kwanzas.
Entre os restantes bancos com desempenho negativo figuram o BPC, que caiu 84% de 6,41 mil milhões para apenas 1,04 mil milhões de kwanzas, o Banco Económico, que passou para terreno negativo com um prejuízo de 2,88 mil milhões de kwanzas após um resultado positivo de 21 milhões no período homólogo, o BNI (-38%), que recuou de 1,44 mil milhões para 890 milhões de kwanzas, o Banco Keve (-1%), que passou de 20,47 mil milhões para 20,21 mil milhões de kwanzas, o BCA (-16%), de 3,00 mil milhões para 2,52 mil milhões de kwanzas, e o Banco Valor (-40%), de 3,40 mil milhões para 2,03 mil milhões de kwanzas.
Apesar das quedas, o BAI mantém a liderança do sector com 25% do resultado líquido total, seguido pelo BFA com 23%, o Standard Bank Angola com 15%, o Banco Keve com 8% e o BCI com 7%.
Do lado positivo, 60% dos bancos analisados registaram crescimento. A maior recuperação coube ao Banco Sol, que reverteu um prejuízo de 2,62 mil milhões de kwanzas para um resultado positivo de 2,78 mil milhões de kwanzas. O BCS mais do que duplicou, crescendo 86% de 4,40 mil milhões para 8,18 mil milhões de kwanzas.
O Atlântico cresceu 81%, de 2,84 mil milhões para 5,12 mil milhões de kwanzas, o Banco Yetu avançou 82%, de 1,25 mil milhões para 2,28 mil milhões de kwanzas, e o BIC subiu 54%, de 4,44 mil milhões para 6,82 mil milhões de kwanzas.
Também o Standard Bank Angola cresceu 11%, de 33,59 mil milhões para 37,21 mil milhões de kwanzas, o BCGA registou um aumento moderado de 7%, de 11,20 mil milhões para 11,95 mil milhões de kwanzas, o BIR subiu 15%, de 3,78 mil milhões para 4,35 mil milhões de kwanzas, o BCH cresceu 2%, de 3,64 mil milhões para 3,72 mil milhões de kwanzas, o Banco da China avançou 35%, de 4,77 mil milhões para 6,46 mil milhões de kwanzas, e o Access Bank Angola registou um crescimento de 16%, de 2,00 mil milhões para 2,31 mil milhões de kwanzas.
No total, o sector passou de 282,11 mil milhões de kwanzas no primeiro trimestre de 2025 para 253,39 mil milhões no mesmo período de 2026, numa variação absoluta negativa de 28,71 mil milhões de kwanzas — sinal de que, apesar da resiliência de vários bancos, as pressões sobre a rentabilidade do sector continuam a fazer-se sentir.



