Depois de ter colocado com sucesso o Banco BFA na Bolsa de Valores em 2025, a BFA Capital Market prepara-se agora para repetir a façanha com um nome ainda maior: a UNITEL.
O negócio, apurado pela Líder Magazine, promete ser uma das maiores ofertas públicas da história do mercado de capitais angolano.
O processo prevê a colocação em bolsa de 15% do capital social da UNITEL através de uma Oferta Pública Inicial na Bolsa de Dívida e Valores de Angola, a BODIVA. Deste total, 2% estão reservados para os trabalhadores e membros dos órgãos sociais da empresa, em condições especiais.
A oferta será promovida pelo Estado angolano, detentor da totalidade do capital da operadora através do IGAPE e da Sonangol, depois de em Outubro de 2022 o Governo ter nacionalizado as participações de Isabel dos Santos, via Vidatel, e do general Leopoldino Fragoso do Nascimento, conhecido por “Dino”, via Geni, cada um com 25% do capital. Os restantes 50% eram já controlados pela Sonangol, que em 2020 havia adquirido a participação da brasileira Oi.
Para quem não está familiarizado com o instrumento, uma oferta pública é o mecanismo pelo qual uma empresa coloca os seus títulos — acções ou obrigações — à disposição do público em geral, através do mercado bolsista. Permite captar financiamento junto de investidores institucionais e particulares, ao mesmo tempo que alarga a base accionista da empresa e reforça a sua transparência e governação corporativa.
A participação estará aberta a investidores institucionais — fundos, seguradoras e bancos — e, dependendo da estrutura final do IPO, também a investidores particulares.
Os números da UNITEL justificam o interesse do mercado. Em 2025, a operadora registou lucros de 158,4 mil milhões de kwanzas, uma subida de 59% face aos 99,4 mil milhões do ano anterior, impulsionados pelas mais-valias com a alienação de 15% da sua participação no BFA e pelos dividendos recebidos daquele banco.
Os resultados operacionais mais do que triplicaram, crescendo 288%, com receitas a subirem 31% para 505,3 mil milhões de kwanzas. A empresa conta actualmente com cerca de 20,8 milhões de clientes, o que representa uma quota de mercado de 76% no sector das telecomunicações móveis em Angola.
Para sustentar a IPO, a UNITEL reforçou o seu capital social de 140 milhões para 250 mil milhões de kwanzas, através da incorporação de reservas livres acumuladas. Em assembleia, os accionistas aprovaram a distribuição de 25% dos resultados líquidos de 2025, sendo o remanescente retido para financiar investimentos e reforçar a posição financeira da empresa em preparação para a entrada em bolsa.
A BFA Capital Market assume o papel de assistente da oferta, sendo responsável pela estruturação, coordenação e execução de todo o processo. É a entidade que garante o cumprimento dos requisitos regulatórios, define o preço de colocação e assegura que os títulos chegam aos investidores certos. Não obstante, persistem constrangimentos que podem limitar a participação de investidores estrangeiros, nomeadamente a exigência de obtenção de número de identificação fiscal angolano e de representação fiscal local — factores que, segundo analistas, constituem um entrave à entrada de capital internacional e à desejada dispersão accionista.
Nos bastidores, analistas conhecedores do mercado de capitais confidenciaram à Líder Magazine que o processo já arrancou. A BFA Capital Market está a constituir um sindicato de colocadores — um conjunto de corretoras e distribuidoras convidadas a participar na distribuição dos títulos junto dos seus clientes.
Este mecanismo permite alargar o alcance da oferta e garantir uma colocação mais ampla e diversificada no mercado. A confirmar-se o calendário previsto, a estreia da UNITEL na bolsa será uma das transacções mais expressivas e aguardadas da história do mercado de capitais angolano.



