Há pessoas que escolhem um caminho e percorrem-no até ao fim. Sebastião Panzo escolheu vários — e percorreu-os todos ao mesmo tempo.
Numa Angola que ainda aprendia a respirar após décadas de guerra, um jovem jornalista começava a sua jornada nas páginas da revista Eco, em 1993.
Não sabia, ou talvez soubesse, que aquelas primeiras linhas escritas em papel seriam o ponto de partida de uma trajectória que o levaria a percorrer o mundo — dos Estados Unidos à China, da Índia à Austrália, do Japão à África Austral — sempre com Angola no peito e a palavra na ponta da língua.
Sebastião Panzo é daqueles angolanos que não se deixam definir por uma só função, um só título ou uma só missão. Jornalista, consultor, director, assessor, formador, palestrante, empreendedor e escritor. Não por vaidade de acumular cargos, mas porque a sua curiosidade intelectual nunca lhe permitiu ficar parado.
Quando terminou o estágio no Correio da Semana, foi corresponder para o Zimbabwe. Quando saiu do Semanário Agora, foi estagiar nos Estados Unidos, onde pisou as redacções do Washington Post e do Chicago Tribune — duas das maiores referências do jornalismo mundial. Voltou a Angola não para se gabar, mas para aplicar o que aprendeu.
Em 2004, quando muitos ainda hesitavam em apostar no digital, Panzo criou a Bumbar Media & IT. Em 2011, fundou a Panzo Consulting Firm.
Em 2014, a Bumbar Mining. Não são apenas empresas — são declarações de intenção de um homem que acredita que Angola tem potencial para ser mais do que é, desde que os seus filhos não desistam de a construir.
À frente da Bumbar Mining, como CEO e PCA, Panzo tem apostado na organização de conferências e exposições mineiras de referência, como a Conferência Empresarial de Rochas Ornamentais no Namibe e na Huíla, com o ambicioso objectivo de transformar aquelas regiões em pólos de referência do sector mineiro nacional e internacional.
Para Sebastião Panzo, a mineração não é apenas extracção — é desenvolvimento, é comunidade, é futuro. Uma visão que defende com a convicção de quem sabe que Angola não pode continuar a olhar para os seus recursos minerais apenas como matéria-prima de exportação.
Ligado também ao lançamento da Plataforma PIIE — dedicada à partilha de informação sobre o impacto da indústria extractiva —, Panzo tem trabalhado na humanização dos dados do sector, procurando estabelecer pontes entre as empresas mineiras e as comunidades locais.
Numa indústria frequentemente associada ao distanciamento social e à opacidade, a sua abordagem é a de quem acredita que a sustentabilidade começa na comunicação honesta e no respeito pelas populações afectadas pela actividade extractiva.
A sua passagem pela ENDIAMA, pelo Ministério da Geologia e Minas, pela SODIAM, pelo MINTTICS e pela ADRA não é uma lista de empregos. É o retrato de alguém que soube transitar entre o público e o privado, entre a comunicação e a mineração, entre a teoria e a prática, sem perder a identidade nem a coerência.
Mas talvez o traço mais revelador do carácter de Sebastião Panzo esteja nos livros. Três obras publicadas — uma sobre espiritualidade e vivências humanas, outra sobre escrita jornalística e uma terceira sobre empreendedorismo angolano. Três mundos diferentes, unidos pela mesma convicção: as palavras transformam realidades.
E depois há o suplemento “VIDA”, que durante dois anos trouxe aos leitores do Semanário Agora histórias sobre direitos humanos, financiado pela USAID. Num país onde os direitos humanos eram — e continuam a ser — um tema sensível, havia um jornalista que insistia em colocá-los na agenda. Esse detalhe diz muito sobre quem é Panzo para além dos títulos e das empresas.
Angola precisa de mais Sebastião Panzos. Não porque seja perfeito — ninguém o é — mas porque representa um modelo de angolano que não espera que o país mude para agir. Defende uma mentalidade de médio e longo prazo para o sector mineiro, com foco na sustentabilidade e no desenvolvimento comunitário.
Forma, escreve, consulta, empreende e continua. Sempre em movimento. Sempre com mais um projecto na gaveta e mais uma ideia para dar vida.
O homem que começou nas páginas da revista Eco ainda não terminou de escrever a sua história. E, ao ritmo que vai, parece que ainda tem muitos capítulos pela frente.



