Angola arrecadou 2,5 mil milhões de dólares com a emissão de eurobonds nos mercados internacionais, numa operação que registou uma procura de investidores superior a 5,2 mil milhões de dólares — mais do dobro do valor captado.
Segundo apurado, o resultado reflecte o apetite crescente dos mercados pelo risco angolano, impulsionado pela subida dos preços do petróleo bruto.
O país emitiu 1,5 mil milhões de dólares em títulos com maturidade a sete anos e rendimento de 9,375%, e mil milhões de dólares em títulos com maturidade a 11 anos e rendimento de 9,875%.
Ambos os níveis ficaram cerca de 0,25 pontos percentuais abaixo das estimativas iniciais, sinal da forte adesão dos investidores à operação.
De acordo com Bloomberg, parte das receitas será destinada à recompra de títulos com juro de 8,25% e vencimento em 2028, numa estratégia de gestão activa da dívida pública. Angola ressalvou, contudo, não estar obrigada a adquirir a totalidade dos títulos colocados à recompra.
A emissão capitaliza o renovado interesse dos mercados por activos ligados a recursos naturais. O conflito envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irão tem perturbado as cadeias de abastecimento de petróleo, elevando as cotações e tornando os produtores fora do Médio Oriente mais atractivos para os investidores.
Angola, terceiro maior produtor de petróleo de África, beneficia directamente deste contexto, ainda que a operação ocorra num momento de custos de financiamento mais elevados para os emissores de mercados emergentes.


