Alunos do município do Soyo, na província do Zaire, estão a protagonizar uma transformação silenciosa mas profunda nas salas de aula angolanas.
Através do Programa STEM promovido pela ADPP Angola, com o apoio da Etu Energias, da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG) e dos parceiros do Bloco 2/05 — Poliedro, Kotoil, Prodoil e Falcon Oil —, as escolas da região estão a tornar-se verdadeiros laboratórios de inovação científica.

A iniciativa, avaliada em 412 mil dólares norte-americanos, tem como objectivo central reforçar o ensino técnico-científico em Angola e preparar os jovens para os desafios de uma economia cada vez mais dependente do conhecimento. Até 2028, o programa prevê beneficiar mais de 8 mil estudantes.
Os primeiros frutos do investimento tornaram-se visíveis durante uma feira de ciências realizada na Escola de Magistério da ADPP, que reuniu alunos do ensino primário, do I e II ciclos e de instituições técnicas. O evento serviu de palco para a apresentação de projectos desenvolvidos com materiais recicláveis e de baixo custo, revelando a capacidade dos estudantes em aplicar o conhecimento científico à resolução de problemas concretos do quotidiano.

Entre os projectos em destaque, uma grua hidráulica construída por estudantes dos cursos de automação, instrumentação, manutenção mecânica e eléctrica e processamento de gás natural captou particular atenção.
O equipamento, desenvolvido com seringas adaptadas como sistemas de pressão hidráulica, demonstrou de forma eloquente como a engenharia pode ser ensinada com recursos acessíveis. Foram igualmente apresentados sistemas de produção de electricidade a partir de baterias caseiras e dispositivos de filtragem de água utilizando areia, carvão vegetal, algodão e pedrinhas.

Estruturado em duas fases, o Programa STEM arrancou com um projecto-piloto no Soyo e prevê a sua expansão para as províncias do Zaire e do Bengo, nomeadamente para o município de Icolo e Bengo, com implementação prevista até Abril de 2028.
Os números reflectem a ambição da iniciativa: 6.300 alunos do ensino primário e dos ciclos secundários deverão ser beneficiados directamente, a par de 2.216 estudantes de magistérios e institutos politécnicos, 180 professores e 36 formadores. O impacto indirecto poderá ultrapassar 10 mil alunos por ano, através da melhoria generalizada da qualidade do ensino nas escolas abrangidas.
Ao longo da última década, o programa já realizou cerca de 120 sessões práticas em 14 províncias do país, capacitou mais de dois mil professores em serviço e mais de mil futuros docentes, e beneficiou directamente mais de 60 mil alunos.
O Presidente do Conselho de Administração da Etu Energias, Edson dos Santos, sublinhou que “o futuro da indústria e da economia angolana depende da qualidade dos seus recursos humanos”, caracterizando o Programa STEM como “uma aposta estruturante na formação de jovens mais preparados para os desafios tecnológicos do país”. No terreno, o impacto é igualmente reconhecido pelos docentes envolvidos.
Abel Manuel Isabel, professor do I Ciclo do Ensino Secundário no Complexo Escolar do Kifuma, destacou a nova dinâmica introduzida no ensino da Matemática, relacionando conceitos científicos com situações práticas. Estêvão Simão José, professor de Química no Instituto Politécnico de Petróleos do Soyo, salientou a democratização do ensino experimental, ao demonstrar que é possível realizar experiências científicas fora de laboratórios convencionais.
Assente no Programa Clássico de Formação STEM, nos Campos de Inovação STEM e nos Clubes STEM, a iniciativa posiciona-se como um instrumento estratégico para a criação de capital humano qualificado e para o fortalecimento da competitividade nacional, em linha com os objectivos de desenvolvimento sustentável de Angola.
A Etu Energias é a maior empresa privada angolana do sector de petróleo e gás, detida integralmente por capital nacional, com operações onshore e offshore em Angola.



