A Moody’s Ratings reviu recentemente a perspectiva do rating soberano de Angola de estável para positiva. A agência manteve a classificação de emissor de longo prazo e da dívida sénior não garantida em moeda estrangeira em B3.
A decisão assenta na maior estabilidade macroeconómica que o país tem mostrado, quer com o petróleo em alta, quer em baixa.
A agência destaca vários sinais de melhoria. A inflação desceu para 8,8% em Agosto, contra 19% um ano antes. O kwanza mantém-se estável desde o final de 2024, em torno de 912 por dólar, e as reservas cambiais rondam os 13 mil milhões de dólares.
A liquidez em dólares no mercado interno também continua a aumentar.
Na economia real, o sector não petrolífero cresceu acima de 5% nos últimos dois anos. Esse desempenho ajudou o PIB a crescer 8,7% em termos homólogos no segundo trimestre de 2026.
Nas contas públicas, os défices fiscais são maiores do que em 2023-2024, mas a Moody’s considera-os moderados. Segundo a agência, a melhor gestão macroeconómica está a reduzir o peso da dívida.
A dívida pública caiu de 53% do PIB em 2024 para 46,9% em 2025. Deverá ficar perto de 46% no fim de 2026 e de 45,6% em 2027. Os juros deverão absorver cerca de 23% da receita.
A Moody’s avisa que a subida do rating depende da continuidade das reformas.
Aponta em particular a eficácia das políticas monetária e cambial e o apoio à actividade não petrolífera. Com estas reformas, Angola ficaria menos exposta a choques externos e à volatilidade do crude, o que reforçaria o seu perfil de crédito.
A agência elevou também os tectos de risco soberano. O limite em moeda local passou de B1 para Ba3, e o limite em moeda estrangeira passou de B3 para B2.
A distância de três níveis entre o tecto em moeda local e o rating soberano tem várias razões, segundo a Moody’s.
O Estado ainda pesa muito na economia, embora cada vez menos. As instituições e as políticas públicas continuam pouco previsíveis. E os sectores público e privado dependem ambos dos hidrocarbonetos. Já a diferença de dois níveis entre os tectos em moeda local e estrangeira reflecte as restrições à conta de capital e a vulnerabilidade às pressões cambiais em momentos de stress externo.
Foram igualmente confirmados o rating (P)B3 do programa de MTN sénior não garantido e a notação de curto prazo Not Prime (NP), para dívida estrangeira e doméstica.



