Crescimento condiciona segurança alimentar

Autor: Alves Catende

Entre 2018 e 2022, a agricultura registou a maior participação para a economia do país em 2020, representando 6,38% do PIB.

O Ministério da Agricultura e Florestas (MINAGRIF), e de acordo com o relatório do ano agrícola 2021/2022, diz que Angola tem de conseguir crescer anualmente pelo menos 6%, caso contrário, “não será possível alcançar a segurança alimentar”. O documento do organismo chefiado por António Francisco de Assis inclui, ainda, as perspetivas da preparação do ano agrícola 2023/2024, e foi divulgado recentemente em Luanda, no evento “Conversa com Jornalistas”. Além disso, mostrou os resultados da actividade agrícola no ano transacto, nas fileiras cereais, hortícolas, fruteiras, raízes e tubérculos, assim como leguminosas e oleaginosas. Concretamente em relação à fileira dos cereais, a actividade concentrou-se nas províncias do Huambo (27,9%); Cuanza Sul (23,1%); Bié (16,3%); Benguela; (11,2%) e Huíla (8,5%), tendo sido semeados quase 3,2 milhões de hectares para uma área colhida de cerca de 2,9 milhões.

Produção de cereais aumenta 4%

Desta forma, segundo dados do MINAGRIF, Angola produziu quase 3,2 milhões de toneladas de cereais no ano agrícola 2021/2022, representando um aumento de quase 4%, comparativamente com o período homólogo anterior.

A produtividade, indica aquele departamento ministerial no relatório, no período agrícola passado, rondou uma tonelada por hectare. Os cereais mais produzidos foram o milho, com uma produção calculada em cerca de 3 milhões toneladas; massango, com quase 44 mil toneladas; massango, com mais de 35.500, e arroz com 10.563 toneladas, concretamente.

Angola registou igualmente um aumento de 6,4% na produção de raízes e tubérculos na campanha agrícola 2021/2022, face ao mesmo período do ano anterior, ao produzir quase 13 milhões de toneladas. As províncias do Uíge, Malanje, Cuanza Sul, Moxico e Lunda Sul concentram a produção total do país.

Os tubérculos e raízes mais produzidos no período em referência foram a mandioca, a batata-rena e a batata-doce. A produtividade, de acordo com os dados colhidos do relatório, ultrapassou os 12.800 quilogramas por hectare.

Huambo é maior produtor de feijão

A produção de leguminosas e oleaginosas foi de cerca de 621.750 toneladas, numa área colhida de mais de 1 milhão de hectares. Huambo, Bié Cuanza Sul, Uíge e Malanje foram os maiores produtores. Feijão, amendoim e soja compõem os produtos da fileira, segundo o MINAGRIF.

Quanto às frutas, Angola produziu mais de 6 milhões de toneladas. As províncias de Benguela, Cuanza Sul, Uíge, Bengo e Cabinda concentraram a produção de banana, citrinos, manga, ananás e abacate

A produção de café foi de, pelo menos, 16,8 mil toneladas. Deste volume, segundo cálculos da Líder om base nos dados do MINAGRIF, 69% (11.561 toneladas) representam o tipo Mabuba e 31% o Comercial (5.206 toneladas).

No que respeita à carne, e de acordo com o departamento ministrial de António Francisco de Assis, a quantidade produzida a campanha 2021/2022 cifrou-se em 320 mil toneladas, representando um aumento de 25%.

Perspectivas para 2023/2024

No plano estratégico de intervenção, está prevista uma assistência que inclui mais de um milhão de famílias nos projectos MOSAP III-Projecto da Agricultura Familiar e Comercialização, SAMAP-Projeto de Desenvolvimento e Comercialização de Agricultura de Pequenos Agricultores, SREP-Projecto de Reforço da Resiliência dos Agricultores Familiares, e PDCVA-PC, o que corresponde a 38% do total.

Para campanha agrícola 2023/2024, o MINAGRIF prevê, também, a distribuição ao nível nacional de mais de 7.400 toneladas de sementes diversas, com as províncias do Huambo (16,8) e Bié (16,3%) a receberem a maior parte, de quase 5.000 mil toneladas de fertilizantes do tipo NPK12-24-12 e 13.500 toneladas de sulfato de amónio, nas diferentes províncias do país. Ainda para a próxima campanha agrícola, como descreve o relatório daquele departamento ministerial, foram adquiridos 99,7 mil equipamentos de trabalho, 72% dos quais a corresponder a enxadas.

Em termos de contribuição para a economia, informa o MINAGRIF, o sector da agricultura, entre 2018 e 2022, registou a maior participação em 2020 (6,38% do PIB). Por outro lado, e segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), o sector da Agro-pecuária, Caça e Silvicultura apresentou o maior indice de empregabilidade em Angola, o que representa cerca de 50% de todo o pessoal empregado dos 15 aos 64 anos de idade.

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