A Refinaria do Soyo, projecto com capacidade prevista de 100.000 barris por dia, continua sem avançar. Após o lançamento da primeira pedra, em Maio de 2022, a infraestrutura projectada para processar até 100 mil barris de petróleo por dia não voltou a registar avanços. 
O relatório anual da Sonangol de 2025 refere que o exercício foi marcado por um processo de reavaliação estratégica e financeira do projecto, tendo sido reafirmada a sua importância para a expansão da capacidade nacional de refinação.
A refinaria, que se estende numa área de 712 hectares, está projectada para ser construída na localidade de Matanga, no sudoeste do Soyo, província do Zaire, pelo consórcio Quanten Angola, empresa norte-americana que venceu o concurso público para o seu financiamento e construção, em Março de 2021.  Este consórcio tem 90% do capital da refinaria e a Sonangol mantém 10%. 
O consórcio é integrado por quatro empresas, sendo três norte-americanas — Quanten LLC, TGT Inc. e Aurum & Sharp LLC — e uma angolana, a ATIS Nebest.  Do lado angolano, estão nesta joint venture os empresários Dionísio Viegas e José Puna Zau, ex-vice-ministro das Obras Públicas. 
O investimento total previsto para a construção da refinaria ascende a 3,5 mil milhões de dólares. Prevê-se que a fase de construção gere entre 500 a 3.000 empregos e, após a conclusão e arranque das operações, a refinaria criará 836 postos de trabalho directos, 107 indirectos e 473 sazonais. 
O principal entrave ao avanço da obra é financeiro. Passados quatro anos, a joint venture ainda não conseguiu assegurar o financiamento necessário para o projecto, o que tem levado o Governo a perder a paciência e a preparar uma solução alternativa.
O principal obstáculo é a dificuldade de mobilizar os 3,5 mil milhões de dólares projectados como necessários para financiar a obra, num contexto global de acesso cada vez mais restrito a financiamento para projectos de energia fóssil, à medida que o mundo acelera a transição energética para fontes renováveis. 
A Quanten Consortium LLC já tinha recebido um ultimato em Junho de 2024. O ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás afirmou em audiência parlamentar que “a empresa enfrenta muitas dificuldades para conseguir financiamento para o projecto. Caso não consiga, vamos ter que rescindir e procurar outra alternativa.” 
A expectável rescisão do contrato com o consórcio Quanten parece ser apenas uma questão de tempo. Se a rescisão se concretizar, os candidatos mais bem posicionados para assumir o projecto serão os chineses da CMEC — promotores da Refinaria do Lobito — ou a Gemcorp, que inaugurou recentemente a primeira fase de produção da Refinaria de Cabinda, uma vez que foram o segundo e terceiro classificados no concurso público que elegeu a Quanten. 
O contrato com a joint venture foi celebrado no âmbito de uma parceria público-privada, em regime de BOO — Build, Own, Operate —, um modelo em que a empresa vencedora do concurso projecta, constrói, opera e mantém a propriedade da infraestrutura por tempo indeterminado, diferentemente do modelo BOT — Build, Operate, Transfer — onde a titularidade é transferida ao Estado no final do contrato. 
Vale recordar que a refinaria do Soyo foi anunciada pela primeira vez em 2015, ainda durante o Governo de José Eduardo dos Santos, numa parceria entre a CIF e a Sonangol que mais tarde foi suspensa devido à detenção do accionista principal, o chinês Xu Jinghua, do China International Fund, em solo asiático. 



