A mina de Longonjo, no Huambo, avança a bom ritmo com 250 milhões de dólares em investimento e parcerias estratégicas com os EUA, o Japão e a Europa numa cadeia de valor integrada que começa no solo angolano.
A mina de terras raras de Longonjo, localizada na província do Huambo, avança a todo o ritmo. A empresa britânica Pensana Plc divulgou esta segunda-feira um comunicado detalhado a confirmar que as obras estão dentro do calendário e do orçamento, com a primeira produção comercial prevista para 2027.
O projecto, avaliado em 250 milhões de dólares, tem já 22% da construção principal concluída e 36 milhões de dólares gastos em desenvolvimento directo. Angola posiciona-se, assim, como um dos raros países do mundo ocidental capazes de fornecer uma cadeia completa de terras raras — desde o minério até ao ímane — fora da esfera de influência chinesa.
Longonjo alberga uma das maiores reservas de terras raras por desenvolver no mundo. A reserva JORC conta com 139.457 toneladas de óxido de neodímio-praseodímio e 3.689 toneladas de óxidos de disprósio e térbio — metais fundamentais para a produção de ímanes permanentes utilizados em veículos eléctricos, turbinas eólicas e sistemas de defesa.
A mina situa-se a apenas quatro quilómetros da linha ferroviária do Corredor do Lobito, de onde o produto seguirá 273 quilómetros até ao Porto do Lobito para exportação global. A proximidade à central hidroeléctrica de Laúca (2 GW) assegura electricidade a baixo custo e com baixas emissões de carbono.
O Fundo Soberano de Angola (FSDEA) tem sido o principal parceiro de financiamento da construção. O programa de obras iniciais foi concluído com êxito em 2025, tendo a última tranche de uma facilidade de capital de 25 milhões de dólares sido integralmente aplicada nas obras principais pela subsidiária Ozango Minerais SA. O FSDEA mantém-se accionista empenhado e parceiro estratégico do projecto.
Um dos desenvolvimentos mais significativos do comunicado é o lançamento de um programa de optimização do circuito de recuperação de elementos de terras raras pesadas. Estudos técnicos indicam que o produto actual poderá ser melhorado de 30 para 122 toneladas anuais de óxidos de terras raras pesadas — incluindo disprósio, transaccionado a cerca de 208.000 dólares por tonelada, e térbio, a aproximadamente 919.000 dólares por tonelada. Esta melhoria reforça a posição de Longonjo como um dos poucos fornecedores fora da China capazes de entregar tanto terras raras ligeiras como pesadas.
A Pensana estabeleceu acordos de intenções com parceiros industriais de referência mundial. A Toyota Tsusho comprometeu-se à aquisição de até 20.000 toneladas anuais de carbonato misto de terras raras produzido em Longonjo. A ReElement Technologies e a eVAC Magnetics/Vacuumschmelze completam o quadro de parcerias, cobrindo potencialmente a totalidade da produção inicial. Nas negociações participam ainda os três principais fabricantes japoneses de ímanes e gigantes da indústria automóvel como a Mercedes, a BMW, a Volkswagen, a Tesla e a General Motors.
A estratégia para o mercado norte-americano é sustentada por um investimento estratégico de 165 milhões de dólares da Cascade Natural Resources e por um financiamento de dívida de até 160 milhões de dólares garantido pelo Export-Import Bank dos Estados Unidos. Este apoio governamental norte-americano sublinha a importância estratégica que Washington atribui ao projecto angolano no âmbito da sua política de diversificação de minerais críticos.
O contexto geopolítico é igualmente favorável. A China introduziu controlos à exportação de terras raras pesadas no final de 2025, provocando subidas acentuadas de preços nos mercados internacionais. Os EUA declararam a intenção de eliminar materiais de origem chinesa dos seus sistemas de armamento até 2027 — calendário que coincide precisamente com o início da produção em Longonjo. Uma tarifa norte-americana de 25% sobre importações chinesas de terras raras a partir de 2026 melhora ainda mais a competitividade do produto angolano.
“Longonjo é um dos maiores depósitos de terras raras alguma vez desenvolvidos e tem a vantagem de uma infra-estrutura de classe mundial — o Corredor do Lobito, energia hidroeléctrica e um governo angolano e fundo soberano altamente favoráveis”, afirmou Paul Atherley, Presidente Executivo da Pensana.



