A taxa de inflação anual em Angola manteve a trajectória de desaceleração contínua, fixando-se em 10,88% em Maio de 2026. Este valor representa a menor taxa registada desde Abril de 2023, quando o índice marcava 10,62%, e consolida um ciclo de oito meses consecutivos de descida.
Desde Outubro de 2025, quando a inflação anual se situava em 17,43%, o país acumulou uma redução de 6,55 pontos percentuais — uma trajectória que reflecte os efeitos das políticas monetárias restritivas adoptadas pelo Banco Nacional de Angola e a relativa estabilização da taxa de câmbio do kwanza.
A redução mensal de 0,70 pontos percentuais face a Abril (11,58%) reforça o ritmo de descida. Das doze classes que compõem o cabaz de consumo, sete já apresentam inflação de um dígito, sinalizando uma dissipação progressiva das pressões inflacionistas em sectores de peso significativo para as famílias angolanas.
Os sectores que mais pesam na subida dos preços continuam a ser Transportes (15,73%) e Habitação, água, electricidade e combustíveis (14,32%), ambos ainda acima da média geral. A Educação, com 13,40%, também permanece em patamar elevado, reflectindo ajustamentos de propinas e material escolar.
“Sete das doze classes do cabaz de consumo já registam inflação de um dígito — o sinal mais claro de que a desinflação se generaliza pela economia.”
No outro extremo, Lazer, recreação e cultura (6,00%) e Hotéis, cafés e restaurantes (6,07%) apresentam as taxas mais baixas. Vestuário e calçado (7,39%) e Comunicações (7,43%) também estão claramente no território de um dígito.
A manutenção desta trajectória descendente é vista como um factor positivo para o poder de compra das famílias e para a estabilidade macroeconómica do país. Se a desaceleração se mantiver no ritmo actual, Angola poderá atingir uma inflação de um único dígito no decurso do segundo semestre de 2026 — um objectivo inscrito nas metas do Governo e do BNA.



