Angola ficou de fora do ranking das maiores bolsas africanas em 2025. A Bolsa de Dívida e Valores de Angola (BODIVA), criada em 2014, encontra-se ainda numa fase incipiente de desenvolvimento, com um número reduzido de empresas cotadas e baixa liquidez no mercado secundário de acções.
Num continente onde mercados como o do Malawi e do Gana protagonizaram recuperações históricas, a ausência de Angola é um sinal de que o país — apesar do seu peso económico na região e da sua riqueza em recursos naturais — tem ainda um longo caminho a percorrer no desenvolvimento do seu mercado de capitais.
O contraste não podia ser mais evidente. Segundo a Daba, plataforma de investimento unificada que ajuda indivíduos e empresas a realizar investimentos de alta qualidade em África, os mercados de acções africanos encerraram 2025 como um dos ciclos mais expressivos da sua história recente.
Em praticamente todo o continente, as bolsas registaram ganhos de dois dígitos em moeda local — e muitas delas proporcionaram retornos igualmente robustos em dólares e euros, beneficiadas pela estabilização cambial, pela descida da inflação e pelo renovado apetite global por activos de mercados emergentes e de fronteira.
As dez maiores bolsas africanas em 2025, por capitalização de mercado:
- JSE — África do Sul | US$ 1,46 bilião
A gigante incontestável do continente. Sede de grandes empresas mineiras, bancos e multinacionais de consumo, a JSE registou 37,7% em rand, 56,7% em dólar e 38,5% em euro — beneficiada pela melhoria macroeconómica e pelo alívio na crise energética. - Casablanca — Marrocos | US$ 114,2 mil milhões
O maior mercado do Norte de África e o segundo do continente. O índice MASI subiu 27,6% em moeda local, 41,5% em dólar e 25,2% em euro, sustentado por sectores defensivos e participação institucional consistente.
- NGX — Nigéria | US$ 68,8 mil milhões
Mais desempenho do que dimensão. Reformas cambiais e reavaliação da banca impulsionaram ganhos de 51,2% em naira, 60,6% em dólar e 43,6% em euro, colocando a NGX entre as bolsas mais rentáveis do mundo em 2025.
- EGX — Egipto | US$ 62,9 mil milhões
Um dos mercados mais líquidos de África. Com o índice EGX 30 a fechar nos 41.690 pontos, a bolsa egípcia registou 40,2% em moeda local, 49,4% em dólar e 31,9% em euro, mesmo com os ajustamentos cambiais ainda em curso. - BSE — Botswana | US$ 56,3 mil milhões
Discreta, mas sólida. A procura de fundos de pensões e um conjunto concentrado de empresas de qualidade sustentaram ganhos de 9,8% em pula e 14,8% em dólar — estabilidade institucional em estado puro.
- BRVM — África Ocidental | US$ 23,9 mil milhões
A bolsa regional de oito países francófonos surpreendeu com 25,3% em franco CFA e euro, e 41,8% em dólar. A África Ocidental francófona deixou definitivamente de ser uma alocação de nicho.
- NSE — Quénia | US$ 22,8 mil milhões
Com a Safaricom e os grandes bancos a ditar o ritmo, a bolsa de Nairobi valorizou 51,1% em xelim, 51,5% em dólar e 34,1% em euro — consolidando o Quénia como principal centro financeiro da África Oriental. - MSE — Malawi | US$ 18,7 mil milhões
A maior surpresa do ano. Um mercado concentrado na banca, consumo e agronegócio entregou 247,6% em moeda local e 248% em dólar — retornos que raramente se vêem em qualquer bolsa do mundo. - GSE — Gana | US$ 16,4 mil milhões
Após a reestruturação da dívida soberana, o mercado ganês recuperou com força: 79,3% em cedi, 149,7% em dólar e 122,2% em euro. Um dos melhores desempenhos relativos do continente. - Túnis — Tunísia | US$ 11,8 mil milhões
Centrada na banca e nas seguradoras, a bolsa tunisina registou 35,1% em dinar, 49,2% em dólar e 31,8% em euro, sustentada pela procura institucional interna e por lucros defensivos.



