O Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) traçou um retrato animador, mas exigente, do continente africano.
Apesar dos contínuos ventos contrários regionais e globais, África continua a demonstrar uma resiliência impressionante e mantém o seu estatuto de fronteira de crescimento global. 
É o que conclui o relatório Desempenho e Perspectivas Macroeconómicas Africanas de 2026, divulgado pela instituição.
Os números falam por si. O PIB real do continente subiu para 4,2% em 2025, ultrapassando a média mundial de 3,1%, com mais de 22 países africanos a crescerem acima dos 5% e seis acima dos 7%.  Trata-se de um desempenho que poucos esperavam num contexto de crescente instabilidade geopolítica e pressão financeira global.
Contudo, o BAD não esconde as fragilidades que persistem. O crescimento africano continua abaixo do limiar de 7% necessário para reduzir de forma significativa a pobreza, com o continente ainda a braços com tensões geopolíticas, fragilidades estruturais, desastres climáticos e conflitos prolongados em regiões como o Sahel e o Chifre de África.  A mensagem é clara: crescer não chega, é preciso transformar.
Angola surge neste contexto como um caso a acompanhar com atenção. O país registou o seu melhor desempenho em cinco anos, com o PIB real a expandir-se 4,4% em 2024, bem acima dos 1,1% registados em 2023, com o crescimento a ser puxado principalmente pelo sector não petrolífero.
A participação da agricultura e das pescas no PIB mais do que duplicou, passando de 6,2% em 2010 para 14,9% em 2023.  Um sinal de que a diversificação económica começa a dar frutos.
O BAD tem apostado fortemente em Angola. A instituição conta actualmente com 16 operações em curso no país, num compromisso total de 1,45 mil milhões de dólares, abrangendo sectores como energia, água e saneamento. Desde que iniciou operações em Angola, em 1980, o banco aprovou compromissos acumulados no valor de 3,36 mil milhões de dólares. 
O mais recente investimento é o Projecto Crescer. Lançado em parceria com o Governo angolano e a União Europeia, trata-se de uma iniciativa de 125 milhões de dólares para estimular o empreendedorismo e a criação de emprego entre os jovens angolanos, com a criação prevista de mais de 112 mil empregos indirectos e o apoio a mais de 10 mil micro, pequenas e médias empresas e startups nos sectores da agricultura, aquicultura, transportes e energias renováveis. 
O projecto vem complementar o Parque de Ciência e Tecnologia, já em construção em parceria com o Governo, que visa diversificar a economia angolana através da inovação científica e tecnológica, incluindo bolsas de estudo do ensino superior ao doutoramento para jovens angolanos. 
O desafio que Angola ainda tem pela frente é considerável. O petróleo continua a representar 28,9% do PIB e 95% do total das exportações , uma dependência que fragiliza o país perante as oscilações dos mercados internacionais.
O Presidente do BAD, Sidi Ould Tah, deixou o recado a todo o continente: o mundo está a mudar “nem sempre a favor de África”, e só com medidas políticas ousadas será possível sustentar a recuperação e mitigar os riscos.  Angola, como parte desse continente, não está isenta desse imperativo.


