Angola vai ter assento num dos lugares de maior influência técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI). A nomeação para a Direcção Executiva da Constituência de África Grupo 1, por dois anos a partir de Novembro, recai em Pedro Castro e Silva, antigo vice-governador do Banco Nacional de Angola (BNA).
A decisão foi tomada pela reunião dos governadores do FMI, em Banguecoque, na Tailândia, onde decorrem até dia 18 as Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo. Castro e Silva sucede ao moçambicano Adriano Ubisse.
O nome não surge de repente. Já em Setembro de 2024, o BNA anunciou a sua indicação para o lugar, escolhido após um processo de avaliação conduzido pelo painel da constituência e com o aval das autoridades angolanas.
O plano previa que fosse administrador suplente do Fundo entre 2024 e 2026 e director executivo nos dois anos seguintes, o que fecha agora o percurso.
A escolha incide num quadro que conhece o sector por dentro. Mestre em Business Administration pela École Supérieure de Commerce de Paris, Pedro Castro e Silva passou pela Sonangol e pelo Banco Angolano de Investimentos (BAI), onde foi director de Marketing e Comunicação.
No BNA foi director de Estudos Económicos, subdirector de Estudos e Estatísticas e administrador executivo, antes de ser nomeado vice-governador, em Dezembro de 2022, para o lugar deixado por Rui Miguêns.
É um perfil que combina o olhar do regulador, habituado a analisar dados e a desenhar política, com a experiência de quem trabalhou numa instituição financeira comercial.
Um director executivo no FMI não representa um só país: fala em nome de todo o grupo e defende os interesses desses países nas decisões do Fundo.
A Constituência de África Grupo 1 reúne 23 países da África Subsariana: Angola, Botswana, Burundi, Eritreia, Eswatini, Etiópia, Gâmbia, Quénia, Lesoto, Libéria, Malawi, Moçambique, Namíbia, Nigéria, Serra Leoa, Somália, África do Sul, Sudão do Sul, Sudão, Tanzânia, Uganda, Zâmbia e Zimbabwe. Por isso, o mandato vale tanto pelo que o titular faz como pela agenda que carrega.
Essa agenda tem cinco prioridades:
• Capital mais barato. Reduzir o custo do capital e melhorar as condições de acesso aos mercados financeiros internacionais, ou seja, um financiamento mais justo para os países africanos.
• Políticas mais flexíveis. Defender a flexibilização das políticas do FMI.
• Pessoas. Valorizar o capital humano.
• Coesão. Reforçar a coesão e a influência do grupo.
• Risco e percepção. Mitigar o risco e as percepções, combatendo os constrangimentos no acesso ao capital ligados à ideia de risco elevado atribuída às economias africanas.
Para Angola, o cargo é também um sinal de reconhecimento e uma oportunidade de ganhar peso nos centros de decisão financeira global. O desafio de Pedro Castro e Silva será transformar essa posição em resultados concretos para os países que representa: financiamento em melhores condições e uma percepção de risco mais ajustada à realidade das economias africanas.



