Um jantar no domingo, em Paris, consolidou a Africa France Impact Coalition, a aposta do Presidente francês para substituir a velha relação política com o continente por uma agenda de investimento privado. A carteira já soma 30 projectos e 23 mil milhões de euros.
Emmanuel Macron recebeu no domingo, no Palácio do Eliseu, empresários africanos e franceses num jantar promovido pela Africa France Impact Coalition.

O encontro serviu para transformar a coligação, lançada em Maio na cimeira Africa Forward, em Nairobi, numa estrutura permanente.
A carteira da iniciativa reúne 30 projectos avaliados em 23 mil milhões de euros. Em cima da mesa estiveram os fluxos de investimento privado em África desde Nairobi, a industrialização, o emprego jovem e os investimentos cruzados em cadeias de valor.
A coligação é liderada pelo nigeriano Tony Elumelu, presidente da Heirs Holdings, escolhido por Macron em Março. À mesa esteve também Baïdy Agne, presidente da Business Africa e do patronato senegalês.

O convidado de honra foi o Presidente do Benim, Romuald Wadagni, que discursou logo a seguir a Macron, perante a plateia de empresários. O jantar abriu uma visita de trabalho de 48 horas que terminou ontem com acordos entre Cotonou e agências francesas para redes eléctricas, pescas, agricultura e um laboratório de hematologia.
A aposta de Paris tem uma leitura geopolítica clara. Com a influência francesa em queda nas antigas colónias da África Ocidental, o Eliseu procura novos interlocutores fora do espaço francófono.
A escolha de Nairobi para a cimeira e de um banqueiro nigeriano para liderar a coligação vai nesse sentido. A ferramenta escolhida é o sector privado, não a diplomacia tradicional.
Angola esteve representada por Nelson Carrinho, CEO do Grupo Carrinho.
O empresário não é estranho a este círculo. Em Março, esteve no Eliseu numa reunião restrita de preparação da cimeira, onde apresentou o programa de apoio à agricultura familiar do grupo.
Em Maio, em Nairobi, foi um dos oradores escolhidos por Macron. O grupo agro-industrial de Benguela já tinha recebido Joe Biden, na visita do então Presidente norte-americano ao Corredor do Lobito.



