Marcus Weyll dedicou toda a carreira aos mercados emergentes. Nascido e criado no Brasil, viveu e trabalhou em vários países da América Latina antes de rumar a África, onde está há 15 anos.
Está hoje fixado em Angola, a partir de onde lidera duas frentes do Gemcorp Group. É CEO do grupo para o Médio Oriente e África e CEO global da Imbono, a plataforma operacional que desenvolve, entrega e gere infra-estruturas estratégicas e serviços essenciais nestas regiões.
Com mais de duas décadas de experiência, construiu um percurso raro entre a banca e a engenharia. Começou nos serviços financeiros, em instituições como o BankBoston, o Bank of America e o BNP Paribas.
Daí passou para o sector das infra-estruturas. Até 2019 foi Director Financeiro da área internacional da Odebrecht Engenharia e Construção, onde supervisionou o financiamento, a estruturação de investimentos e o desenvolvimento de negócios em mercados globais.
A sua visão resulta desse percurso. Acredita que as melhores soluções de infra-estrutura nascem da combinação entre capital e experiência internacionais e o conhecimento local. Foi com essa ideia que assumiu a liderança da Imbono, lançada em Fevereiro de 2026 a partir da fusão da Gemcorp ICS com a Gemcorp Angola.
A empresa tem sede no Dubai e usa Angola como centro operacional para África. Posiciona-se entre investidores e governos para garantir que os projectos financiados são de facto concluídos e mantidos.
Sob a sua liderança, a Imbono gere uma carteira de activos com peso na economia angolana. O principal é a Refinaria de Cabinda, a primeira construída no país desde a independência, cuja segunda fase representa um investimento de 700 milhões de dólares.
Na água, a empresa trabalha na recuperação das estações de tratamento do Luongo e de Quilonga Grande e no combate à seca no Cunene. Na agricultura, desenvolve o pólo agro-industrial de Quizenga. Na saúde, moderniza o Hospital Américo Boavida, em Luanda.
A empresa conta cerca de 600 trabalhadores directos e perto de 10 mil indirectos. Weyll aponta para uma carteira de projectos até 10 mil milhões de dólares e já prepara a expansão para outros países, como a Zâmbia.
O crescimento também trouxe escrutínio. Em 2026, a Imbono recebeu 34,18 milhões de dólares para coordenar a reabilitação da Barragem de Capanda, um programa de cerca de 493 milhões adjudicado por contratação simplificada.
A imprensa sublinhou que a obra é financiada por linhas de crédito da própria Gemcorp junto do Estado angolano. Isso coloca o grupo dos dois lados do negócio, como credor e como contratado. As condições desse financiamento não foram tornadas públicas.



