Marcus Weyll, CEO da Gemcorp para África e Médio Oriente, afirmou recentemente, no Dubai, que a África representa a maior oportunidade de investimento da próxima década, condicionada à chegada de capital privado de longo prazo ao continente.
O responsável falava na qualidade de orador convidado do AIM Congress 2026, encontro internacional que reúne investidores, governantes e responsáveis da banca em torno do financiamento aos mercados emergentes.
Weyll, que dirige igualmente a Imbono, começou por descrever aquilo que classificou como uma contradição do seu sector: a existência de um volume considerável de capitais à procura de rendimento estável e duradouro, a par de necessidades de financiamento igualmente elevadas nos mercados emergentes — duas realidades que, no seu entender, ainda não se souberam encontrar.
Citando dados relativos ao continente, o dirigente afirmou que mais de quatrocentos milhões de africanos continuam sem acesso a água potável e que cerca de seiscentos milhões não dispõem de electricidade fiável, apesar de muitos dos projectos capazes de alterar este cenário já se encontrarem concebidos e serem financeiramente viáveis. Segundo Weyll, o continente necessitaria de entre cento e trinta e cento e setenta mil milhões de dólares norte-americanos por ano para fazer face às suas carências de infra-estrutura, montante que fica sistematicamente aquém do que é mobilizado.
O responsável da Gemcorp atribuiu este desequilíbrio a dois factores: um desajuste de prazos, dado que as infra-estruturas se constroem ao longo de anos e se pagam ao longo de décadas, enquanto o capital disponível é maioritariamente de curto prazo; e um desajuste na avaliação do risco, que, segundo afirmou, é calculado com base em percepção e não em desempenho real.
Apesar do quadro traçado, Weyll mostrou-se optimista quanto ao futuro do continente, invocando factores demográficos e económicos favoráveis, entre os quais o crescimento previsto da população africana até dois mil e cinquenta e o baixo nível de endividamento privado registado em países como a Nigéria, a Zâmbia e o Gana.
Defendendo o modelo seguido pela própria Gemcorp, o dirigente apontou três condições para transformar estas oportunidades em infra-estrutura duradoura: parceria entre capitais públicos, de desenvolvimento e privados; permanência do investidor junto do activo ao longo da sua vida útil; e proximidade em relação à execução dos projectos, com o investidor a assumir também funções de operador.
Nesse sentido, Weyll recordou que a Gemcorp já investiu, desde dois mil e catorze, mais de nove mil milhões de dólares em vinte e cinco mercados emergentes, com retornos elevados. Sublinhou, em particular, o caso angolano, onde disse que o grupo mantém, há mais de uma década, um historial isento de incumprimentos, tendo contribuído para a criação de cerca de vinte mil postos de trabalho.
O dirigente da Gemcorp concluiu a sua intervenção destacando o papel do Médio Oriente neste processo, citando os laços históricos com o continente africano e a posição geográfica do Dubai como ponto de confluência entre a América Latina, a Ásia, a África, a Ásia Central e a Europa de Leste.



