Depois de encaminhada a saída de Angola, sinaliza o BPI, agora, a intenção de se desvincular também do capital do BCI moçambicano. As participações africanas do grupo, segundo o banco português, deixaram de ser tidas como estratégicas.
Tal como sucedeu com o Banco de Fomento Angola (BFA), os dividendos do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), de Moçambique, auferidos pelo BPI, são integralmente entregues ao CaixaBank, por força da política de distribuição de resultados da instituição espanhola, a qual determina a entrega de 100 por cento dos lucros provenientes das operações internacionais.
Detém o BPI, actualmente, uma posição de 33,67 por cento no capital do BCI, permanecendo a maioria accionista nas mãos da Caixa Geral de Depósitos (CGD).
Vem este anúncio poucos meses depois de o BPI ter concluído, em Setembro último, acordo para a venda da totalidade da sua participação de 33,35 por cento no BFA à Congolian Financial SA (CFSA), do grupo angolano Carrinho, negócio avaliado em cerca de 432 milhões de euros — a maior alienação, de sempre, do banco português em Angola.
A operação, dependente ainda de aprovação por parte das autoridades angolanas — o Banco Nacional de Angola e a Comissão de Mercado de Capitais —, vem encerrar um processo iniciado em 2017, altura em que o Banco Central Europeu começou a pressionar o BPI a reduzir a sua exposição a Angola, por entender insuficiente a equivalência da supervisão bancária no país.
Recorde-se que, antes deste acordo final, já havia o BPI reduzido a sua posição no BFA por via de Oferta Pública de Venda em bolsa, em Setembro de 2025, alienando 14,75 por cento do capital por 103 milhões de euros, operação que o próprio presidente do BPI, João Pedro Oliveira e Costa, classificou como “a maior operação de sempre em Angola”, tendo a procura sido cinco vezes superior à oferta e contando-se mais de 8.500 novos accionistas angolanos.
Já quanto ao BCI, diverso é o quadro. O contributo do banco moçambicano para os resultados do BPI tem-se revelado instável e, em diversos trimestres recentes, mesmo negativo — reflexo, sobretudo, das descidas de notação atribuídas a Moçambique pelas agências S&P, Fitch e Moody’s, as quais obrigaram o BCI a reforçar as imparidades sobre a carteira de dívida pública moçambicana. Não obstante, garantiu o presidente do BPI que nenhuma decisão sobre o BCI será tomada sem prévio entendimento com a CGD, accionista maioritária, e sem que daí resulte instabilidade para o sector financeiro moçambicano — a mesma cautela que, segundo afirma, norteou também o processo angolano.



