A disputa pela liderança do grupo Castel voltou, uma vez mais, a tornar-se pública, com os diferentes ramos accionistas da família a expor as suas divergências por intermédio de comunicados à imprensa, avança a revista francesa Jeune Afrique. O caso interessa directamente aos angolanos: a Castel é dona da Cuca, a cerveja mais consumida no país.
O primeiro ataque partiu de um texto sem data, subscrito pelos “quatro ramos maioritários da família Castel” e divulgado a 28 de Agosto. Os seus autores distanciaram-se de Romy Castel, filha do fundador do grupo, Pierre Castel, sublinhando que a mesma representa apenas um dos ramos, detendo 20 por cento das acções, e apontando-a como estando por detrás dos processos judiciais que expuseram o império familiar ao escrutínio público nos últimos meses.
A réplica não se fez esperar. Logo no dia seguinte, 29 de Agosto, Romy, Alain e Philippe Castel vieram a público recordar que os accionistas haviam votado, a 2 de Fevereiro, por mais de 70 por cento, a demissão de Grégory Clerc, então presidente-executivo do grupo, contestando ainda a legitimidade das assinaturas apostas no primeiro comunicado.
O episódio reacende a guerra de sucessão que assola o grupo desde Outubro de 2025, encontrando-se Grégory Clerc no centro das tensões, numa posição contestada por Romy Castel e pelos seus primos Alain e Philippe.
A disputa já não se circunscreve à gestão operacional do grupo, fundado em 1949, dizendo antes respeito à sua liderança e ao equilíbrio de poder entre os herdeiros, com frentes de batalha nos órgãos de governação, nos tribunais de Singapura e em torno de activos estratégicos como a Castel Vins e a Somdia.
Em Angola, o grupo Castel opera desde 1994, ano em que assumiu a gestão da fábrica da Cuca, marca fundada em 1952, sendo secundado pela GEFI, braço financeiro do MPLA, que detém participação na cervejeira.
O grupo foi, ao longo dos anos, consolidando o domínio do sector, controlando actualmente nove das doze fábricas de cerveja do país e produzindo cerca de dezasseis marcas, entre as quais Nocal, Eka e N’Gola. A Cuca detém sozinha cerca de 75% do mercado cervejeiro nacional, e o grupo é um dos maiores empregadores privados de Angola, com mais de cinco mil trabalhadores.
A crise de sucessão em França já produziu efeitos directos no país: em 30 de Julho, o tribunal de Singapura suspendeu Grégory Clerc das suas funções na IBBM, sociedade que superintende toda a actividade do grupo em África, incluindo o Grupo Castel Angola.



