O sector fabril nacional vê-se, a partir de 6 de Setembro próximo, confrontado com um agravamento dos encargos energéticos, na sequência da entrada em vigor de um novo tarifário eléctrico aplicável às empresas e unidades industriais instaladas no País.
A medida, longe de constituir um acto isolado, insere-se numa política mais vasta de ajustamento económico que o Executivo vem prosseguindo com vista à recuperação financeira das operadoras de distribuição de energia, cujas contas têm sido, ao que se sabe, penalizadas pelo desfasamento entre os custos de produção e as tarifas até agora praticadas.
Não obstante os previsíveis reflexos sobre a estrutura de custos das unidades fabris, o discurso oficial procura sublinhar as vantagens de médio prazo do reajuste, apontando o Governo como objectivos a assegurar dos investimentos em infra-estruturas eléctricas, bem como a melhoria da qualidade do serviço — argumentário que, importa dizê-lo, dificilmente disfarça o esforço financeiro adicional que recairá, desde já, sobre o tecido empresarial.
Entre as razões avançadas pelas autoridades do sector conta-se ainda o propósito de incentivar um consumo mais racional de energia por parte dos grandes consumidores industriais, num contexto em que a sustentabilidade do sistema eléctrico nacional é apresentada como condição indispensável ao próprio desenvolvimento industrial do País — equação que, para muitos operadores, só o tempo dirá se sai efectivamente equilibrada.



