Angola já não quer mandar na De Beers. Depois de ter avançado, em Outubro do ano transacto, com uma proposta para adquirir uma participação maioritária na gigante mundial dos diamantes, o país mudou de rumo e negoceia agora uma fatia bem mais modesta, entre 20 e 30 por cento, suficiente para ter peso nas decisões, mas longe do controlo accionista. O que Angola quer, garante o governante, é ser ouvida.
A intenção foi confirmada por Diamantino Azevedo, ministro dos Petróleos e dos Recursos Minerais, quarta-feira, durante a conferência “Doing Business Angola”, realizada em Lisboa.
Segundo o governante, Angola procura uma estrutura de propriedade que lhe permita “ter voz activa” na definição da estratégia da empresa e participar em conversações ao nível executivo, incluindo representação no conselho de administração.
A mudança de posição foi explicada por Paulo Tanganha, director nacional de recursos minerais, junto da Reuters: assumir o controlo de uma empresa do sector do luxo é demasiado arriscado, por depender em larga medida das flutuações do mercado.
Para reduzir esse risco, o Governo angolano considera que uma fatia entre 20 e 30 por cento é a que melhor se ajusta aos interesses e à sustentabilidade da economia nacional.
O Botswana, detém há várias décadas uma participação de 15 por cento na De Beers, fruto da sua ligação histórica à empresa.
Caso Angola venha a concretizar a aquisição pretendida, os dois países juntos passariam a somar entre 35 e 45 por cento do capital da companhia, constituindo um bloco de peso entre as nações africanas produtoras de diamantes, com capacidade para influenciar decisões estratégicas, ainda que sem deterem o controlo maioritário legal.
Em paralelo às negociações accionistas, Angola prossegue os planos para elevar a produção de diamantes até aos 17 milhões de quilates em 2027, através da empresa estatal Endiama.
No ano passado, a mineradora angolana atingiu um valor recorde de 14 milhões de quilates de diamantes brutos extraídos, o mais elevado de sempre na sua história, número que colocou o país na terceira posição do ranking mundial de produtores em volume, atrás apenas da Rússia e do próprio Botswana.



