Os passageiros de classe executiva e tarifas premium da TAP no Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto (AIAAN) deixaram de ter acesso ao Imbondeiro, o lounge de referência do aeroporto gerido pela TAAG.
Em alternativa, a companhia portuguesa está a encaminhar os seus clientes para uma área delimitada dentro do café-restaurante Nunex, numa zona de fumadores do aeroporto, segundo imagens recolhidas no local e divulgadas pelo portal 24Horas.
Na origem da situação está um diferendo contratual entre as duas companhias.
De acordo com uma fonte angolana, a TAP utilizou o Imbondeiro durante meses sem qualquer pagamento, num período descrito como de teste.
Quando a TAAG exigiu a formalização do contrato de aluguer do espaço, a transportadora portuguesa recusou-se a assinar. O motivo do impasse é cambial: o regulamento do lounge prevê o pagamento em divisas, e a TAP pretende liquidar o valor em kwanzas, moeda que mantém uma depreciação acentuada face às divisas de referência.
A situação da TAP não é isolada. A Lufthansa enfrenta o mesmo diferendo com a TAAG, ao contrário do que sucede com a Emirates e a Air France, que continuam a operar normalmente no Imbondeiro.
Os clientes afectados manifestaram desagrado. Bilhetes de ida e volta entre Luanda e Lisboa na companhia portuguesa podem ultrapassar os 6 mil euros — cerca de 6,27 milhões de Kwanzas à cotação actual (1 EUR ≈ 1.044,67 Kz) — valor que, segundo um passageiro habitual da rota, devia corresponder a um padrão de serviço que actualmente não está a ser cumprido.
Contactada por telefone e por correio electrónico desde ontem, a TAP não respondeu a qualquer questão sobre a recusa de pagamento em divisas nem sobre o impacto da medida nos seus passageiros premium em Angola.



