A Ernst & Young Angola emitiu uma opinião com reservas sobre as demonstrações financeiras da SODIAM, E.P., referentes ao exercício de 2025. O relatório, assinado em Abril de 2026, aponta quatro matérias para as quais os auditores não obtiveram prova suficiente — num total de incertezas que ultrapassa os 100 milhões de dólares.
As contas mostram uma empresa com vendas de 2,07 mil milhões de dólares em 2025, face a 1,64 mil milhões em 2024 — um crescimento assinalável. O resultado líquido do exercício foi de 6,8 milhões de dólares, uma queda acentuada face aos 21,4 milhões registados no ano anterior. Os custos das mercadorias vendidas absorveram 1,93 mil milhões de dólares, deixando uma margem operacional de apenas 11 milhões. O activo total situou-se em 493,8 milhões de dólares, sustentado por um capital próprio de 235,5 milhões.
A nível de tesouraria, o cenário é menos tranquilizador. A SODIAM terminou 2025 com 36,9 milhões de dólares em caixa — menos 19 milhões do que no início do exercício. As actividades operacionais geraram apenas 6 milhões de dólares, enquanto as actividades de investimento consumiram 25,3 milhões, sobretudo em imobilizações corpóreas e incorpóreas. O efeito das diferenças de câmbio contribuiu com 10,4 milhões para atenuar a saída líquida de caixa.
A primeira e mais opaca das reservas recai sobre o investimento de 79,5 milhões de dólares na Victoria Holding Limited, uma participação de 50% cujo valor não foi demonstrado como recuperável. A este montante acrescem 92,1 milhões em saldos a receber da subsidiária e uma dívida de 68,4 milhões contraída junto ao Banco Internacional de Crédito. No balanço, os investimentos em subsidiárias e associadas totalizam 79,5 milhões de dólares — valor que os auditores não validaram.
A segunda reserva incide sobre 23,1 milhões de dólares em activos fixos afectos ao Polo de Desenvolvimento Diamantífero de Saurimo (PDOS). O activo fixo bruto total da empresa ascende a 102,7 milhões de dólares. A EY considerou inadequado o método de avaliação de imparidade utilizado, não podendo concluir sobre eventuais amortizações extraordinárias.
A terceira reserva expõe uma divergência de 15,4 milhões de dólares entre o saldo de 23,2 milhões registado pela SODIAM e os 8 milhões confirmados por uma contraparte. As contas a receber totalizam 238,2 milhões de dólares no balanço — um número que ganha outro relevo quando um único saldo não consegue ser reconciliado.
A quarta reserva incide sobre 14,4 milhões de dólares em ganhos cambiais reconhecidos nos resultados financeiros. A demonstração de resultados regista resultados financeiros líquidos de 3 milhões de dólares em 2025, face a 14,2 milhões em 2024 — uma quebra que os auditores não conseguiram fundamentar adequadamente, nomeadamente quanto ao impacto nos resultados transitados, que ascendem a 196,9 milhões de dólares.
A SODIAM é a empresa estatal responsável pela comercialização dos diamantes angolanos, sector estruturante da economia nacional. As suas demonstrações financeiras foram assinadas pelo Presidente do Conselho de Administração, Eugénio Pereira Bravo da Rosa, e pelo contabilista Nzola Jorge Eduardo Paulo.



