A Indústria Transformadora registou em Março de 2026 o valor mais elevado de financiamento bancário desde que a série começou a ser medida pelo Banco Nacional de Angola (BNA).
O sector absorveu 828,2 mil milhões de kwanzas, correspondentes a 40,6% do total do crédito distribuído por sector de actividade pela Banca Comercial. Deste montante, 782,9 mil milhões de kwanzas — cerca de 94,5% — foram concedidos ao abrigo do Aviso n.º 10/2024 do BNA, o principal instrumento regulatório do crédito ao sector real da economia.
A trajectória ascendente do crédito à Indústria Transformadora teve início em 2021, ano em que o stock registado se fixou nos 465,2 mil milhões de kwanzas. Desde então, o valor nunca deixou de crescer, culminando no máximo histórico agora registado.
O movimento reflecte uma orientação deliberada das autoridades no sentido de alinhar o sistema financeiro com os objectivos de diversificação económica, em particular no âmbito do Programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI).
No quadro institucional de suporte ao sector, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) disponibiliza linhas de crédito específicas para a Indústria Transformadora ao abrigo do Aviso n.º 10/2024, enquanto o Fundo de Garantia de Crédito (FGC) tem intensificado a sua actuação no sentido de facilitar o acesso ao financiamento para empresas do sector.
A Corporação Financeira Internacional (IFC) anunciou ainda a intenção de investir até 300 milhões de dólares no sector privado angolano em 2026, com incidência na Indústria Transformadora, em particular em projectos de produção alimentar e bens de consumo.
O endividamento total do sector privado registou um aumento de 812,6 mil milhões de kwanzas (+11,9%) entre Março de 2025 e Março de 2026, passando de 6,8 biliões para 7,6 biliões de kwanzas. O endividamento das empresas privadas não financeiras totalizou 5,9 biliões de kwanzas (+10,6%), enquanto o dos particulares atingiu 1,7 bilião de kwanzas (+16,5%).
No sector da Agricultura e Pescas, o crédito concedido totalizou 326,5 mil milhões de kwanzas, representando 16,0% do crédito sectorial, dos quais 95,8% foram concedidos ao abrigo dos Avisos do BNA referentes ao fomento do crédito ao sector real.
O BNA assinala que a expansão do crédito à economia tem contribuído para a desaceleração da inflação, sustentada pelo aumento da produção nacional, pela estabilidade da taxa de câmbio e por condições monetárias consideradas adequadas.
Especialistas alertam, contudo, para a necessidade de avaliar a qualidade e a equidade desta expansão, questionando se o financiamento está a alcançar de forma proporcional as pequenas e médias empresas industriais, historicamente com maiores dificuldades de acesso ao crédito.


