Angola gerou receitas superiores a 8 mil milhões de dólares com a exportação de petróleo bruto e gás natural no primeiro trimestre de 2026, num contexto marcado pela volatilidade dos preços no mercado internacional.
Os dados foram apresentados pelo Secretário de Estado para o Petróleo e Gás, José Alexandre Barroso, na reunião de balanço das realizações do mercado de petróleo e gás.
No período em análise, Angola exportou aproximadamente 86,18 milhões de barris de petróleo bruto, avaliados em cerca de 7,16 mil milhões de dólares, a um preço médio ponderado de 83,05 dólares por barril.
Apesar de o volume exportado ter registado uma diminuição de 9,14% face ao trimestre anterior e de 0,90% em relação ao período homólogo de 2025, o valor das exportações cresceu 20,65% comparativamente ao trimestre anterior e 10,18% face ao primeiro trimestre de 2025, reflexo da subida dos preços internacionais.
O Brent Datado registou um preço médio de 81,131 dólares por barril, representando um aumento de 27,31% face ao trimestre anterior e de 7,13% em relação ao período homólogo de 2025. A China manteve-se como o principal destino das exportações angolanas de petróleo, absorvendo 55,63% do total, seguida da Índia com 16,31%, da Indonésia com 5,75% e da França com 4,17%.
No que respeita ao gás natural, as exportações totalizaram cerca de 1,45 milhões de toneladas métricas, com o Gás Natural Liquefeito (LNG) a representar 85,51% do total.
O valor bruto das exportações ascendeu a aproximadamente 920,58 milhões de dólares, um acréscimo de 11,29% face ao trimestre anterior e de 21,18% em relação ao período homólogo de 2025.
O LNG foi exportado maioritariamente para o continente asiático, com a Índia a liderar com 61,52% do volume total, seguida da Turquia com 10,81%.
A volatilidade dos preços ao longo do trimestre resultou de um conjunto de factores geopolíticos e de mercado. Entre as pressões em baixa, destacam-se as tensões comerciais entre os Estados Unidos e a União Europeia, as expectativas de aumento de produção pela OPEP+ e a flexibilização de sanções ao petróleo russo.
Em sentido contrário, os riscos geopolíticos no Médio Oriente, os ataques a infraestruturas energéticas na Rússia e no Cazaquistão, e as perturbações no Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — pressionaram os preços em alta, determinando o resultado final do trimestre.


