O Novo Banco dissolveu o Novo Banco África SGPS, a sociedade que durante anos geriu a expansão do banco para o mercado africano, numa operação que marca o encerramento definitivo de um capítulo herdado do Banco Espírito Santo (BES).
A dissolução foi concretizada a 31 de março de 2026, a menos de um mês de o banco português passar para as mãos do grupo francês BPCE, que deverá formalizar a aquisição a 28 de abril.
A entidade representava um valor líquido de 11 milhões de euros nas contas do Novo Banco e uma perda por imparidade de 55,5 milhões de euros.
A NB África — que nasceu a partir do BES África, após a medida de resolução aplicada pelo Banco de Portugal em 2014 — chegou a gerir participações em dois bancos africanos: o Moza Banco, em Moçambique, e o International Investment Bank (IIB), em Cabo Verde. Nenhuma dessas posições se mantém actualmente.
O Moza Banco foi vendido ao fundo Arise em 2023. O IIB foi alienado ao IIBG Holdings, do Bahrein, em 2018, embora o Novo Banco tenha mantido uma participação residual de 10% até 2024, ano em que saiu definitivamente.
De fora desta equação ficou sempre o BES Angola — onde foi descoberto um buraco de 3,5 mil milhões de euros — por ter sido detido directamente pelo BES e não pela sociedade agora dissolvida.
O encerramento da NB África coincide com a fase final da transição para a nova liderança. A 29 de abril realiza-se uma assembleia geral de accionistas para eleger novos membros para o conselho, nomear auditor e alterar os estatutos — deliberações cuja eficácia está subordinada à conclusão da venda ao BPCE.
Com o fecho da NB África, o Novo Banco desfaz-se da última estrutura que o ligava formalmente ao projecto africano do BES — e encerra, de vez, essa herança.


