A África do Sul, o Egipto e Marrocos confirmam-se como as praças mais cotadas do continente africano no que respeita à concentração de grandes fortunas privadas, de acordo com o mais recente “The Wealth Report”, elaborado pela consultora britânica Knight Frank, relativo ao corrente ano de 2026.
O estudo classifica como indivíduos de património líquido ultra-elevado (os chamados UHNWI, sigla anglo-saxónica que a praça financeira internacional já consagrou) todos aqueles cujos activos líquidos ultrapassam os 30 milhões de dólares, excluída a habitação própria.
Tratando-se de um universo restrito, este grupo continua, no entanto, a pesar de forma desproporcionada nas decisões de investimento, na iniciativa empresarial e na afectação de capitais à escala mundial.
A África do Sul mantém a liderança africana, surgindo na 37ª posição do ranking mundial, com 1.347 indivíduos de fortuna ultra-elevada contabilizados este ano. Segundo as projecções da Knight Frank, aquele número deverá subir para 1.564 até 2031, o que atesta, na óptica dos analistas da consultora, a resiliência da criação de riqueza no país, não obstante as conhecidas dificuldades da conjuntura económica sul-africana.
Segue-se o Egipto, na 42ª posição da tabela mundial, com 822 UHNWI, número que deverá ascender a 977 no espaço de cinco anos. Marrocos fecha o pódio africano, na 44ª posição global, com 432 indivíduos nesta condição — cifra que o relatório estima poder atingir os 550 até 2031.
À escala global, o relatório documenta um crescimento assinalável da camada mais abastada da população mundial. Entre 2021 e 2026, o número de UHNWI passou de 551.435 para 713.626, o que representa mais 162.191 novos milionários da fortuna — ou, dito de outro modo, uma média de 89 pessoas a ultrapassar, todos os dias, a barreira dos 30 milhões de dólares, ao longo de um quinquénio.
Os Estados Unidos surgem como o principal motor deste fenómeno: segundo a Knight Frank, 41 por cento de todos os novos UHNWI surgidos entre 2021 e 2026 têm origem norte-americana, o que bem ilustra a dimensão e a capacidade de geração de capital da maior economia do mundo.
Não surpreende, pois, que os Estados Unidos continuem a deter o título de principal praça mundial de grandes fortunas, seguidos pela China, que regista já cerca de 122 mil UHNWI. As duas potências económicas somam, entre si, aproximadamente 55 por cento da população ultra-rica mundial — um domínio que traduz bem o peso de ambas nas finanças, na tecnologia e no empreendedorismo à escala global.



