
Dangote aposta na Namíbia para abastecer os países sem litoralA presidente da Namíbia, Netumbo Nandi-Ndaitwah, e o empresário nigeriano Aliko Dangote lançaram esta quarta-feira o Projecto de Parque de Tanques e Gasoduto Regional da Dangote Industries Namibia.
A cerimónia decorreu na Fazenda 58, nos arredores de Walvis Bay. O investimento é de 2,5 mil milhões de dólares, entre armazenamento de petróleo e gasoduto regional.Segundo a Reuters, o terminal terá uma capacidade de cerca de 600 milhões de litros, o equivalente a perto de quatro milhões de barris.
Desse total, 360 milhões de litros destinam-se ao gasóleo e o restante à gasolina. Um oleoduto vai ligar o cais aos tanques, situados a cerca de 16 quilómetros do porto de Walvis Bay. Dangote disse que a construção deverá levar entre 18 e 20 meses.
O objectivo final é construir um gasoduto regional com mais de 2.000 quilómetros, que ligue o projecto ao Botswana, ao Zimbabwe, à Zâmbia e, eventualmente, à República Democrática do Congo. Na cerimónia, Dangote afirmou que o grupo quer investir fortemente para que os países sem litoral tenham acesso a combustíveis mais baratos. A infra-estrutura vai distribuir produtos refinados enviados da refinaria do grupo em Lagos.
O projecto avançou por etapas. Dangote reuniu-se com Nandi-Ndaitwah em Windhoek a 19 de Junho de 2025, e o Conselho de Ministros namibiano aprovou o projecto de armazenamento em Setembro desse ano.Em Walvis Bay, Dangote anunciou também que vai aumentar em um quinto o seu compromisso de investimento na industrialização de África, para 60 mil milhões de dólares até ao fim da década.
Na Namíbia, o debate sobre a segurança energética coloca o projecto ao lado da refinaria angolana do Lobito, como novas rotas de abastecimento. Mas a imprensa local sublinha que só se saberá se os preços na bomba vão baixar depois de conhecidos os custos de abastecimento, o financiamento e a execução.



