A companhia alemã foi escolhida para adquirir até 49,9% da transportadora portuguesa, num negócio avaliado em cerca de 1,3 mil milhões USD. Para o mercado angolano, as rotas mantêm-se por ora inalteradas, mas a estratégia futura da TAP para África passa a ter um novo interlocutor.
O Governo português escolheu, a 14 de Outubro, a Lufthansa como compradora de uma participação minoritária de até 49,9% no capital da TAP Air Portugal. A operação, avaliada em aproximadamente 1,3 mil milhões USD, aguarda ainda aprovação regulatória, não tendo sido anunciada qualquer alteração às rotas africanas da companhia.
A decisão põe termo a uma disputa que, no mês passado, permanecia em aberto. A 6 de Setembro, Lisboa pediu à Lufthansa e à Air France-KLM que melhorassem as respectivas propostas, por considerar as ofertas iniciais demasiado próximas. Nessa altura, não havia vencedor definido nem eram conhecidos os valores em causa.
Para Angola, o dossier tem peso próprio. Luanda figura entre os 14 destinos africanos que a TAP mantinha na sua rede em Junho de 2026, ao lado de Maputo, Acra, Dakar, Bissau, Casablanca, São Tomé e várias cidades cabo-verdianas.
A ligação à capital angolana alimenta o hub de Lisboa e garante ao passageiro nacional acesso a voos de continuação para a Europa e as Américas.
Empresários, estudantes no estrangeiro e famílias com laços em Portugal constituem a base desta procura. Para estes segmentos, as questões decisivas são a disponibilidade de ligações, a frequência dos voos e o custo final da viagem.
Importa, contudo, não confundir expectativas com factos. Nem a escolha da Lufthansa nem o investimento em si garantem tarifas mais baixas ou o reforço da oferta em África. Um novo accionista pode influenciar a estratégia de uma companhia aérea sem que isso se traduza, de imediato, em mudanças nos horários.
A TAP e a Lufthansa integram já a Star Alliance, o que coloca o negócio num ponto de partida distinto daquele que resultaria de uma vitória da Air France-KLM, membro da aliança rival SkyTeam. A proximidade operacional entre os dois grupos poderá facilitar a integração de redes e acordos comerciais, factor a acompanhar pela TAAG e pelos restantes operadores na rota Luanda–Lisboa.
Segundo o Governo português, a proposta vencedora preserva a marca, a sede e o hub da TAP em Lisboa, apoiando simultaneamente a expansão da empresa. O plano publicado aponta para uma frota total de 117 aeronaves até 2035, número que deverá subir para 130 depois dessa data. Trata-se da dimensão total pretendida e não de aviões adicionais.
Lisboa admite ainda uma segunda fase de privatização, envolvendo uma participação maioritária. Esse passo exigirá, porém, um processo autónomo e não deve ser tomado como venda concluída.
O negócio surge após anos de reestruturação, na sequência do impacto da pandemia sobre a actividade da TAP. Em 2021, a Comissão Europeia aprovou o auxílio português à reestruturação da companhia, no âmbito dos esforços para lhe devolver viabilidade.



