A ressaca da oferta pública da UNITEL fez-se sentir em Agosto. A capitalização bolsista da BODIVA recuou 8,85%, para Kz 5 706,97 mil milhões, o que representa uma perda de mais de Kz 550 mil milhões em apenas trinta dias.
Os dados constam do relatório mensal da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), e nenhum título cotado escapou à correcção.
Segundo o relatório consultado pela Líder Magazine, a ENSA foi a mais castigada, com uma desvalorização de 20%. Seguiram-se o BCGA, que cedeu 15,67%, e a UNITEL, estreante de Julho, que perdeu 10,97%. O BAI recuou 8,04%, o BFA 4,74% e a própria BODIVA 3,46%.
A leitura de longo prazo é, ainda assim, menos sombria. Face a Agosto do ano passado, o valor da bolsa mais do que triplicou, com uma subida de 207,52% que resulta, em larga medida, das novas admissões à cotação.
A actividade acompanhou o movimento descendente. O volume transaccionado nos mercados da BODIVA fixou-se em Kz 758,36 mil milhões, menos 28,93% do que no mês anterior.
Para esta quebra contribuiu, sobretudo, a menor negociação de Obrigações do Tesouro Não Reajustáveis, cujo volume caiu cerca de 34%.
A dívida pública mantém, porém, o peso de sempre, com as OT-NR a responderem por 85,51% de tudo o que se negociou, num total de Kz 648,48 mil milhões.
As acções ficaram-se pelos 8,05% (Kz 61,05 mil milhões) e as obrigações em moeda externa pelos 6,29%. Curiosamente, o número de negócios aumentou 32,33%, para 8 575 operações, o que indica mais transacções, mas de menor dimensão.
O entusiasmo dos pequenos investidores também arrefeceu.
Participaram nas negociações 3 821 investidores, menos 33,95% do que em Julho, e a abertura de contas na CEVAMA caiu 78,39%, para 1 218. O regulador desdramatiza a quebra. Lembra que Julho foi um mês fora do comum, inflacionado pela corrida à UNITEL, e que Agosto representa apenas o regresso à normalidade.
Em termos homólogos, aliás, a abertura de contas cresceu 34,73%.
Os números confirmam, de resto, uma realidade antiga do mercado angolano: quem manda são os institucionais. Estes investidores asseguraram 90,59% das transacções, cabendo aos particulares e às pequenas empresas os restantes 9,41%.
A banca dominou tanto nas compras (50,36%) como nas vendas (59,79%), e a Unidade de Gestão da Dívida Pública surgiu como segundo grande interveniente.
Nos fundos, a palavra de ordem foi estabilidade. O Valor Líquido Global dos 75 Organismos de Investimento Colectivo fixou-se em Kz 1 918,55 mil milhões, praticamente inalterado face a Julho (-0,17%) e 49,40% acima do registado há um ano.
O imobiliário continua a valer mais de metade das carteiras (54,03%). Já os activos sob gestão dos agentes de intermediação desceram 1,33% no mês e 29,63% no ano, para Kz 123 346,75 mil milhões, com a Standard Invest a concentrar 88,55% do total.
A nota positiva do mês chegou do BAI. A CMC aprovou a emissão de obrigações sustentáveis do banco, que pode chegar aos Kz 50 mil milhões, mais Kz 7,5 mil milhões em lote suplementar.
Os títulos serão admitidos à negociação em bolsa e destinam-se a financiar projectos com impacto ambiental e social. É, para já, o sinal de que o mercado procura novos produtos numa altura em que as acções perdem fôlego.



