Os Estados Unidos vão investir até US$ 1 mil milhões numa concessão de 30 anos do troço congolês do Corredor de Lobito, consolidando a aposta de Washington no acesso a minerais críticos e na contenção do domínio chinês sobre as cadeias de fornecimento globais de cobre e cobalto.
O interesse norte-americano concretizou-se ontem, em Kinshasa, com a assinatura do contrato de concessão entre a construtora portuguesa Mota-Engil e as autoridades congolesas, avança a Bloomberg.
O acordo formaliza uma intenção já anunciada em Dezembro, quando a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA (DFC) assinou uma carta de intenções com a Mota-Engil, prevendo financiamento até àquele montante para apoiar a reabilitação e a exploração da linha férrea do lado congolês.
A operação insere-se numa estratégia mais ampla de Washington para diversificar as cadeias de abastecimento ocidentais e reduzir a dependência de Pequim.
A República Democrática do Congo (RDC) é o segundo maior produtor mundial de cobre e o principal produtor global de cobalto — matérias-primas indispensáveis à indústria automóvel eléctrica e às infra-estruturas de energia renovável —, sector onde a China mantém uma posição dominante, controlando parte significativa da produção e do processamento.
A ferrovia, com cerca de 1.000 quilómetros de extensão, liga os principais centros mineiros da RDC — Kolwezi, Tenke e Lubumbashi — ao Corredor de Lobito, rota estratégica que escoa cobre e cobalto da África Central até aos mercados internacionais, através da costa atlântica angolana.
Para operacionalizar o investimento, os EUA recorrem à Mota-Engil, que já opera parte do Corredor de Lobito em Angola através de uma joint venture com a trader de commodities Trafigura, e que passa agora a deter também uma presença de longo prazo no troço congolês.
A entrada de Washington nesta infra-estrutura surge num contexto de disputa crescente com Pequim pelo controlo dos corredores de transporte de minerais em África.
Em paralelo, a China avança com uma reforma orçada em 1,4 mil milhões de dólares da Ferrovia Tanzânia-Zâmbia (TAZARA), que liga a região cuprífera da Zâmbia ao porto de Dar es Salaam, no Oceano Índico — evidenciando a crescente importância geopolítica destas rotas na disputa global pelos recursos essenciais à transição energética.



