A República Democrática do Congo prepara-se para inaugurar o seu primeiro porto de águas profundas, situado na localidade de Banana, na foz do rio Congo, na província do Kongo Central — junto à fronteira com Angola e a poucos quilómetros de Cabinda.
O objectivo declarado por Kinshasa é reduzir a dependência face aos portos vizinhos, entre os quais se destaca o Lobito, além de Pointe-Noire e Dar es Salaam.
O projecto tem como principal investidor a operadora portuária DP World, do Dubai, que detém 70% do empreendimento ao abrigo de uma concessão de 30 anos assinada com o governo congolês em Dezembro de 2021.
A construção está a cargo da portuguesa Mota-Engil, que assinou em Março de 2025 um contrato avaliado em cerca de 230 milhões de euros para a primeira fase da obra.
A British International Investment, braço financeiro do Reino Unido para o desenvolvimento, comprometeu ainda 35 milhões de dólares ao projecto, em parceria com a DP World.
O custo total da obra está estimado entre 1,2 e 1,3 mil milhões de dólares, embora a primeira fase que inclui um cais de 600 metros e capacidade anual para 450 mil contentores ronde os 250 milhões de dólares.
As obras, iniciadas com o lançamento da primeira pedra pelo Presidente Félix Tshisekedi em Janeiro de 2022, têm registado sucessivos atrasos: a entrada em funcionamento, inicialmente prevista para 2025, foi entretanto adiada para 2026, com a conclusão integral da primeira fase agora apontada para o início de 2027.
Actualmente decorrem trabalhos de dragagem do leito marítimo até 18 metros de profundidade, bem como a construção do acesso rodoviário ao futuro terminal.
Para Kinshasa, o novo porto representa mais do que uma infra-estrutura logística: é uma aposta na soberania comercial do país e um instrumento para atrair investimento estrangeiro, até aqui condicionado pela dependência de rotas de escoamento controladas por Estados vizinhos.
A construção de Banana surge num momento em que o corredor de Lobito tem vindo a consolidar-se como uma das principais alternativas de escoamento mineiro da região, nomeadamente para o cobre e o cobalto extraídos no sudeste congolês, com apoio financeiro dos Estados Unidos e da União Europeia.
A entrada em funcionamento de um porto próprio poderá vir a alterar o equilíbrio de forças entre as duas rotas, obrigando Angola a reforçar a competitividade do corredor do Lobito nos próximos anos.



