A Unitel registou um lucro líquido de 99,4 mil milhões de kwanzas em 2024, o equivalente a 109 milhões de dólares, o que representa um crescimento de 183% face aos 34,6 mil milhões de kwanzas registados em 2023 . Os números constam das demonstrações financeiras da operadora, disponibilizadas pelo Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), a poucos meses da entrada em bolsa prevista para julho de 2026.
No entanto, o crescimento decorre de ganhos financeiros expressivos, nomeadamente dividendos recebidos de participadas, que totalizaram cerca de 39,1 mil milhões de kwanzas, provenientes sobretudo da participação de 51,9% no Banco de Fomento Angola (BFA) .
Os resultados operacionais — os que decorrem directamente da actividade de telecomunicações — ficaram-se pelos 17 mil milhões de kwanzas, menos de 20% do lucro total reportado.
A evolução dos resultados nos últimos exercícios reflecte uma trajectória irregular.
A Unitel registou lucros de 93,8 mil milhões de kwanzas em 2021, de 33,9 mil milhões em 2022 e de 34,6 mil milhões em 2023.  No plano operacional, os resultados operacionais caíram 82% em 2023, ao passar de 44,1 mil milhões para 8,1 mil milhões de kwanzas, um ano depois de a empresa ter sido nacionalizada pelo Estado. 
Também o EBITDA acusou pressão. A operadora contabilizou em 2023 um EBITDA de 80,2 mil milhões de kwanzas, face aos 90,7 mil milhões de 2022, representando uma queda de 12%, com a margem a recuar 3,3 pontos percentuais para 22,1%. 
Em 2024, as actividades operacionais geraram 77,5 mil milhões de kwanzas, um aumento face aos 70,8 mil milhões de kwanzas registados em 2023, impulsionado por recebimentos de clientes no valor de 423,1 mil milhões de kwanzas.  Ainda assim, as actividades de investimento consumiram 132 mil milhões de kwanzas, o que resultou numa redução líquida de caixa de 37 mil milhões de kwanzas no exercício. 
No balanço, a empresa apresenta uma posição sólida: o activo total cresceu 7% para 1,3 biliões de kwanzas e o capital próprio subiu 14% para 743,8 mil milhões de kwanzas. 
A Unitel detém 51,9% das acções do BFA, enquanto o BPI, controlado pelos espanhóis do CaixaBank, detém os restantes 48,1%.  Em 2023, o BFA obteve o segundo maior lucro da banca angolana, com 167,9 mil milhões de kwanzas. A dependência dos dividendos desta participação tem sido determinante para os resultados globais da operadora nos últimos exercícios.
A Unitel é detida na totalidade pelo Estado angolano: 50% através do IGAPE e os restantes 50% ligados ao universo Sonangol, após a nacionalização das participações da Vidatel e da Geni em outubro de 2022. 


