Projectos Soyo–Inga–Cabinda e Laúca–Kolwezi vão reforçar exportação de energia, electrificar regiões estratégicas e impulsionar o Corredor do Lobito.
O Ministério dos Recursos Hídricos e Electricidade da República Democrática do Comfo assinou com a SOMAGEC, a concessão de dois projectos de linhas de transmissão energética de 400 kV que vão interligar Angola ao país vizinho. O acordo foi rubricado pelo ministro congolês.
As iniciativas incluem as linhas Soyo–Inga–Cabinda e Laúca–Kolwezi, consideradas dois dos projectos de interconexão energética mais ambiciosos da África Austral. O financiamento foi anunciado após a conclusão dos estudos de viabilidade, licenciamentos e estruturação financeira.
O primeiro projecto vai ligar a cidade angolana de Soyo à província de Cabinda ,passando por Matadi e Inga, na RDC. A linha será construída exclusivamente com investimento privado e pretende reforçar as exportações de energia de Angola ,além de assegurar o abastecimento de Cabinda através da rede nacional, algo inédito até agora.
Já o segundo projecto, com mais de 1.200 quilómetros, ligará a central hidroeléctrica de Barragem de Laúca ao centro mineiro de kolwezi ,passando por Saurimo e Luau. A linha deverá fornecer energia fiável ao sector industrial congolês e electrificar o leste de Angola, contribuindo para o desenvolvimento das Lundas e para a dinamização do Corredor do Lobito.
Os estudos e a estruturação financeira foram assegurados pela SOMAGEC através da sua subsidiária Meridia Energy , em parceria com investidores institucionais europeus, americanos e africanos. A empresa destaca-se por desenvolver infra-estruturas transnacionais de transmissão eléctrica com financiamento integralmente privado.
Os projectos contam ainda com o apoio da RNT- Rede Nacional de Transportes de Eletricidade e do Ministério da Energia e Águas de Angola, tendo o seu desenvolvimento sido formalizado em Janeiro de 2025 com a assinatura de um memorando de entendimento na presença do ministro João Baptista Borges em Luanda.
Segundo os promotores, as novas interligações deverão ter impacto directo na balança de pagamentos de Angola, na estabilidade fiscal do sector eléctrico, no crescimento do PIB de ambos os países, na criação de emprego e na promoção de novas zonas económicas sustentadas por energia fiável e limpa.


