O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) encerrou 2025 com uma redução de 42,1% no volume de crédito disponibilizado, num ano que a própria instituição classificou como particularmente exigente, marcado por pressão sobre os indicadores financeiros e necessidade de reforço da disciplina prudencial. Em 2026, porém, o banco entra numa nova fase, apontada como decisiva para a retoma selectiva do financiamento ao desenvolvimento e para o reforço do seu papel na economia nacional.
Segundo dados tornados públicos pelo BDA, os desembolsos para o sector produtivo recuaram de cerca de 95 mil milhões de kwanzas em 2024 para 55 mil milhões em 2025, reflectindo uma opção estratégica de contenção. A decisão foi tomada num contexto de degradação dos indicadores de desempenho, com impacto no retorno sobre capitais próprios (ROE), no retorno sobre activos (ROA), no custo do risco e na sustentabilidade global da instituição.
O banco explicou que 2024 foi assumido como um ano de prudência activa, com foco na consolidação interna, no reforço da governação, na melhoria dos mecanismos de controlo de risco e na preparação do Plano de Recapitalização e Reestruturação (PRR). Esta abordagem prolongou-se ao longo de 2025, período em que o BDA privilegiou a reorganização interna e o ajustamento do seu modelo de intervenção.
Ainda assim, o financiamento não foi interrompido. A agricultura manteve-se como o principal destino do crédito, seguida da indústria e das pescas, sectores considerados estruturantes para a diversificação da economia e para a segurança alimentar.
O BDA reconheceu igualmente que a exposição ao projecto Angola Cables, cliente em situação de incumprimento desde 2017, continua a afectar de forma recorrente os seus resultados. A dívida associada, avaliada em cerca de 230 milhões de dólares, implica elevados níveis de provisão e condiciona a flexibilidade financeira da instituição. O banco sublinha, no entanto, que esta exposição está enquadrada no seu plano de negócios e sujeita a acompanhamento rigoroso.
2026 marca novo ciclo de intervenção
É em 2026 que o BDA prevê uma mudança mais visível de ciclo, suportada pela recapitalização, pela transformação institucional entretanto concluída e por um enquadramento prudencial mais robusto. A instituição aponta para um reforço gradual da actividade creditícia, com maior selectividade, foco em projectos com maturidade técnica e financeira comprovada e maior capacidade de acompanhamento e monitorização.
Entre as linhas de actuação destacadas para este novo ciclo estão o apoio a cadeias de valor com impacto directo na substituição de importações, o financiamento a projectos estruturantes com potencial de geração de emprego e valor acrescentado, a actuação mais eficaz como catalisador de investimento privado e a redução progressiva de exposições de risco que pressionam os resultados do banco.
Em termos financeiros, o BDA encerrou 2024 com um prejuízo estimado em 55,8 mil milhões de kwanzas, mas a administração considera que o processo de reorganização e recapitalização permite, em 2026, retomar uma trajectória de crescimento sustentado, reforçando o papel do banco como instrumento central da política de desenvolvimento económico.


