A Pumangol apresentou na quinta-feira o balanço operacional do quarto trimestre de 2025 com ênfase em crescimento de volumes de vendas e facturação, mas sem divulgar indicadores financeiros essenciais como margem operacional, resultado líquido, endividamento ou retorno sobre capital investido — dados fundamentais para avaliar saúde financeira da empresa.
A venda directa de combustíveis ao consumidor final atingiu 178.179 toneladas métricas no período Outubro-Dezembro, representando crescimento de 3% face ao terceiro trimestre, segundo a operadora, que não comparou o desempenho com período homólogo de 2024 nem explicou causas específicas do aumento.
O volume de negócios da actividade de retalho fixou-se em AOA 77 mil milhões no quarto trimestre, traduzindo crescimento de 3% face ao trimestre anterior e aumento de 33% em comparação com o mesmo período de 2024. Em termos acumulados, a facturação atingiu AOA 274 mil milhões em 2025, representando crescimento de 27% face a 2024.
Contudo, a empresa não revelou se esse crescimento de facturação se traduziu em aumento de rentabilidade, estrutura de custos, impacto da variação cambial nas importações de combustíveis ou margem de comercialização obtida — informações críticas num sector onde operadoras enfrentam pressão regulatória sobre preços de venda ao público e dependem de importações pagas em moeda estrangeira.
Gasóleo e gasolina mantêm equilíbrio nas vendas
O mix de vendas manteve distribuição equilibrada entre gasóleo (87.343 toneladas) e gasolina (90.836 toneladas), ambos registando crescimento face ao terceiro trimestre, “reforçando a consistência do desempenho nos dois principais produtos do portefólio”, segundo a Pumangol.
A empresa não divulgou evolução da sua rede de estações de serviço — número de postos em operação, novos postos inaugurados no trimestre ou estações encerradas —, informação relevante para contextualizar crescimento de volumes e avaliar se expansão resulta de aumento de tráfego em postos existentes ou de alargamento da rede física.
Combustíveis a granel crescem 61% em facturação
No segmento de combustíveis a granel (vendas directas a empresas), o volume de negócios ascendeu a AOA 23 mil milhões no quarto trimestre, registando crescimento de 61% face ao período homólogo, “demonstrando a valorização comercial e a eficácia da estratégia de relacionamento com clientes corporativos”, segundo a operadora.
O salto expressivo de facturação não foi acompanhado de dados sobre volumes vendidos, principais clientes adquiridos, condições comerciais praticadas nem contribuição do segmento para resultado operacional consolidado — elementos necessários para avaliar se crescimento reflecte aumento de quota de mercado ou ajustes de preços.
Lubrificantes e betumes mantêm trajectória de crescimento
O segmento de lubrificantes atingiu 2.283 toneladas em 2025, representando crescimento de 8% face a 2024, com volume de negócios de AOA 2,7 mil milhões no quarto trimestre (crescimento de 12% face ao período homólogo), “impulsionado pela consolidação da marca MaxLub e pelo reforço da presença no mercado”.
Na unidade de betumes, o volume anual totalizou 19.304 toneladas, superando desempenho de 2024 num crescimento de 6%, “reflexo da reorganização comercial e da nova abordagem estratégica da Angobetumes” — subsidiária da Pumangol especializada em produtos asfálticos.
A empresa não detalhou investimentos realizados em capacidade produtiva, armazenamento ou distribuição que tenham sustentado crescimento nestes segmentos.
Aviação impulsionada por novo aeroporto
No segmento de aviação, a venda de JET-A1 cresceu 21,6% face ao terceiro trimestre, com volume de negócios registando aumento de 30%. A Pumangol atribuiu o desempenho à “captação de novos clientes e pelo início das operações no Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto”, inaugurado em Novembro de 2023 em substituição ao Aeroporto 4 de Fevereiro.
A operadora não identificou companhias aéreas adquiridas como novos clientes, contratos firmados, volumes específicos de combustível fornecidos ao novo aeroporto nem quota de mercado detida nas operações de abastecimento aeroportuário — segmento onde compete com outras operadoras licenciadas.
Acções sociais sem orçamento divulgado
A Pumangol afirmou ter mantido “no quarto trimestre, uma actuação alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável, implementando iniciativas de prevenção rodoviária, apoio a projectos educativos e culturais, campanhas de saúde e doação de bens e meios de transporte”, mas não especificou orçamento alocado a responsabilidade social, projectos beneficiados, número de beneficiários directos nem avaliação de impacto das intervenções.
A apresentação de resultados decorreu perante “entidades do sector e órgãos de comunicação social, no âmbito do compromisso contínuo com a transparência, a prestação de contas e a excelência operacional”, segundo a empresa — embora a ausência de demonstrações financeiras completas, auditorias externas publicadas ou relatórios de contas anuais acessíveis ao público limite alcance dessa transparência alegada.
Sector de distribuição de combustíveis em Angola
O mercado de combustíveis em Angola é dominado por poucas operadoras, incluindo Sonangol Distribuidora, Pumangol (anteriormente Puma Energy Angola), Total Angola. O sector enfrenta desafios estruturais como subsídios governamentais aos preços de venda ao público (que comprimem margens de comercialização), dependência de importações pagas em divisas (expondo operadoras a risco cambial), atrasos em pagamentos de combustível fornecido ao Estado e infraestrutura de armazenamento insuficiente. A ausência de publicação sistemática de contas auditadas por operadoras dificulta análise comparativa de desempenho sectorial e avaliação de sustentabilidade financeira de empresas que fornecem produto estratégico à economia nacional.
Fonte: Revista Outside


