A quinta edição do Fórum Africano de Investidores Soberanos (ASIF) realiza-se em Luanda entre 5 e 7 de Julho de 2026, organizada pelo Fundo Soberano de Angola (FSDEA), sob o tema “Alocação Estratégica em um Mundo Limitado – Aproveitando os Recursos da África para sua Transformação Estrutural.”
O evento chega num momento em que o continente regista crescimento expressivo neste domínio, mas ainda enfrenta um fosso considerável face às grandes potências financeiras mundiais.
No topo do ranking africano, o fundo mais valioso do continente é o da Líbia, seguido do da Etiópia e do Botswana. 
Na África Subsaariana, a Etiópia lidera com um fundo de 46 mil milhões de dólares, orientado para a diversificação económica além da agricultura, seguida pela Argélia com 13 mil milhões, utilizado para estabilizar a economia face às flutuações dos preços do petróleo e gás.
A Zâmbia, impulsionada pelo cobre, gere seis mil milhões, enquanto o Botsuana, assente na riqueza dos diamantes, dispõe de quatro mil milhões. Marrocos, Nigéria, Tunísia e África do Sul dispõem cada um de fundos avaliados em três mil milhões de dólares, centrados em infra-estruturas e projectos energéticos.
O Fundo Soberano de Angola, organizador da cimeira, distingue-se pelo seu modelo de investimento directo na economia nacional.
O FSDEA está mais vocacionado para o investimento em grandes projectos que permitam desenvolver a economia nacional,  num modelo partilhado com o Gabão e distinto dos fundos de estabilização monetária, como os do Botsuana e da Namíbia, ou dos fundos orientados para a poupança intergeracional, como os da Nigéria.
No mesmo ecossistema de financiamento do desenvolvimento africano, a Africa Finance Corporation (AFC) destaca-se como actor relevante no financiamento de infra-estruturas, complementando o papel dos fundos soberanos na mobilização de capital para projectos estruturantes.
Uma referência a acompanhar é Moçambique.
A confirmarem-se as previsões de exploração de gás, o novo Fundo Soberano de Moçambique tem potencial para entrar no ranking dos maiores fundos do continente,  o que reforçaria o peso da África Subsaariana num mapa financeiro ainda dominado pelo Norte de África e pelo Médio Oriente.
No plano global, o contraste é marcante. Em Janeiro de 2025, o total dos fundos soberanos mundiais ascendia a 13 triliões de dólares, dominado pela China com 2,5 triliões, pelos Emirados Árabes Unidos com 2,3 triliões, pela Noruega com 1,8 triliões, por Singapura com 1,1 triliões e pela Arábia Saudita com um trilião.
A maior predominância situa-se nas regiões do Médio Oriente e da Ásia-Pacífico, onde estão sediados 18 dos 20 maiores fundos soberanos do mundo.  Esta concentração de poder financeiro não é apenas económica — reflecte uma disputa geopolítica crescente pela influência em África, com a China, os Emirados Árabes e o Ocidente a competirem pelo acesso a recursos naturais e mercados emergentes através dos seus fundos soberanos.
Foram criados 15 novos fundos soberanos na África Subsaariana desde 2010, mas os activos totais ascendem a 160 milhões de dólares, um valor relativamente baixo à escala global. 
Os desafios estruturais persistem: a directora de Economia Sectorial da Corporação Financeira Internacional (IFC), Issa Faye, aponta os défices de governança como o principal obstáculo ao investimento eficaz em projectos de desenvolvimento sustentável, impedindo que o capital disponível flua para iniciativas com capacidade de transformar estruturalmente as economias africanas.
Apesar disso, os fundos soberanos africanos registaram um crescimento de 76% nos activos sob gestão e de 54% no número de investidores, sinais de uma trajectória que a cimeira de Luanda pretende acelerar.


