Angola está a dar um passo decisivo para diversificar o seu portfólio mineral, com os preparativos em curso para o início da exploração de nióbio na província da Huíla, um dos minerais críticos mais estratégicos do mundo.
O projecto, liderado pela Niobonga Comércio Geral, empresa com apoio da China, insere-se na estratégia do país para expandir a produção além do petróleo e dos diamantes, reforçando o papel de Angola como futuro fornecedor de minerais essenciais à economia verde global.
De acordo com o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, os trabalhos de exploração na concessão de Bonga, no município de Quilengues, avançam de forma constante.
A primeira fase concentra-se na preparação da infraestrutura, avaliações ambientais e no reassentamento das comunidades locais.
O ministro Diamantino Azevedo confirmou que o projecto deverá entrar em produção em 2025, assim que forem ultrapassadas as limitações no fornecimento de energia elétrica.
“A exploração de nióbio representa um novo capítulo na diversificação de recursos de Angola”, afirmou o governante, acrescentando que o Executivo trabalha para atrair parcerias e investimentos internacionais para o desenvolvimento sustentável do projecto.
O valor estratégico do nióbio
O nióbio é amplamente utilizado para fortalecer o aço, aumentar a eficiência das baterias de veículos elétricos e melhorar materiais supercondutores aplicados em tecnologia e infraestrutura energética.
Atualmente, mais de 90% da produção mundial provém do Brasil, o que tem levado à crescente procura por novas fontes de abastecimento, especialmente num contexto de tensões geopolíticas e transição energética.
Para Angola, a entrada na exploração deste mineral oferece vantagens estratégicas e económicas, podendo atrair indústrias associadas como metalurgia, produção de baterias e tecnologias verdes e impulsionar a industrialização e o emprego qualificado no país.


