Deixou a banca para cultivar a terra no Leste. Vinte anos depois, a FAO incluiu-a entre as 100 mulheres que estão a transformar a alimentação no mundo
A empresária angolana Teresa de Castro Vieira Mariz, conhecida no meio agrícola como a “Rainha da Mandioca”, é uma das 100 Heroínas dos Sistemas Agroalimentares e do Desenvolvimento Rural distinguidas pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). A cerimónia decorreu em Roma, no dia 15 de Outubro, à margem do Fórum Mundial da Alimentação.
A distinção resultou de um processo muito disputado: mais de 600 candidaturas, vindas de mais de 131 países. O júri realçou a sua capacidade de liderança e o exemplo que dá a uma nova geração de agricultoras africanas. A iniciativa integra o Ano Internacional da Mulher Agricultora, que as Nações Unidas fixaram para 2026.
O seu propósito é dar rosto às mulheres que sustentam os sistemas alimentares e defender o seu acesso à terra, ao crédito e à tecnologia.
O caminho até Roma começou longe da terra. Durante anos, o trabalho de Teresa Mariz fazia-se de balanços, créditos e análise de risco, como quadro do sector bancário angolano.
A mudança de vida fez-se há duas décadas, quando fundou a Fazenda T. Mariz no Luena, capital do Moxico. Trata-se de uma província distante dos grandes mercados, com vias de escoamento difíceis e pouca tradição de agricultura empresarial. Foi aí que decidiu apostar na produção de mandioca em grande escala, quando a cultura era sobretudo coisa de lavras familiares. A fazenda reúne hoje agricultura e pecuária e tornou-se uma referência na segurança alimentar da região.
O que separa Teresa Mariz da maioria dos produtores são os resultados. A Fazenda T. Mariz obtém entre 30 e 40 toneladas de mandioca por hectare.
A média nacional ronda as 13 a 14 toneladas, pelo que a fazenda tira da mesma terra quase o triplo.
Quem a conhece atribui este desempenho ao percurso pouco habitual da empresária.
Trouxe da banca o rigor da gestão e o hábito do planeamento, e juntou-lhes o conhecimento do terreno ganho em vinte anos de campanhas. Ela própria resume a receita em duas palavras: determinação e inovação. Para Teresa Mariz, são estas as bases para alimentar comunidades e mudar a economia rural.
O crédito e a gestão eram precisamente a sua especialidade. Aplicou-os à terra e mostrou que, no Moxico, a mandioca pode ser um negócio de primeira linha.



