Nádia Feijó fala à Líder Magazine a poucos dias da VI Conferência Angolana de Compliance, que decorre este ano sob o tema “Compliance como Instrumento de Soberania e Competitividade Nacional”.
A Directora Geral da NF-CONFOJUR, Nádia Feijó, defende que o compliance deixou de ser encarado como uma mera obrigação legal para se afirmar como um verdadeiro instrumento de criação de valor, competitividade e sustentabilidade empresarial.
A afirmação surge a poucos dias da VI Conferência Angolana de Compliance, cuja edição deste ano decorre sob o tema “Compliance como Instrumento de Soberania e Competitividade Nacional” e que Nádia Feijó espera que represente “um ponto de viragem” para o sector empresarial angolano.
Em entrevista exclusiva à Líder Magazine, a responsável sublinha que “as empresas que investem em compliance são mais competitivas, resilientes e atractivas para o investimento”, acrescentando que os modelos de gestão assentes na ética, transparência e boa governação são hoje um factor decisivo para o sucesso das organizações num mercado global cada vez mais exigente.
Para Nádia Feijó, o objectivo da conferência é demonstrar que “competitividade e integridade caminham lado a lado”, numa mensagem dirigida aos gestores angolanos sobre a importância de colocar a governação corporativa no centro da estratégia das organizações.
Questionada sobre a mensagem que gostaria de deixar aos CEOs, administradores e empresários, foi clara: “A competitividade do futuro será construída sobre confiança.”
Segundo a especialista, os mercados internacionais valorizam organizações transparentes, éticas e bem governadas, e quem investir hoje em compliance estará mais preparado para atrair investimento, conquistar novos mercados e garantir crescimento sustentável. “O futuro pertence às empresas que colocarem a integridade no centro das suas decisões”, remata.
Segundo Nádia Feijó, a percepção de que o compliance representa apenas burocracia está “rapidamente a desaparecer”. A responsável nota que as empresas mais competitivas do mundo são precisamente aquelas com sistemas sólidos de governação corporativa e elevados padrões de conformidade, capazes de reduzir perdas financeiras, prevenir fraudes e minimizar conflitos de interesses. “Empresas que demonstram elevados padrões de integridade conquistam maior credibilidade junto dos investidores, clientes, financiadores e parceiros estratégicos”, afirma.
Entre os benefícios concretos de investir em compliance, destaca a redução de riscos operacionais, o reforço dos sistemas de controlo interno, a protecção da reputação e a melhoria da qualidade da tomada de decisão. Um programa eficaz, sublinha, aumenta ainda a confiança dos investidores, facilita o acesso ao financiamento e abre portas a novos mercados e contratos que exigem elevados padrões de conformidade.
Questionada sobre o papel da liderança na consolidação de uma cultura de compliance, a Directora Geral da NF-CONFOJUR é peremptória: “Nenhum programa de compliance terá sucesso se não existir um compromisso genuíno por parte dos conselhos de administração e da gestão de topo.” Segundo a especialista, o chamado tone from the top continua a ser o principal factor de sucesso, defendendo que o compliance não pode ficar circunscrito a um único departamento, devendo antes integrar a estratégia empresarial e a cultura organizacional.
Nádia Feijó recorda que a NF-CONFOJUR já formou mais de 7.000 profissionais em Angola, um número que reflecte, na sua opinião, o crescimento do interesse pela área. Ainda assim, admite que persistem diferentes níveis de maturidade entre sectores: enquanto o financeiro, petrolífero e mineiro apresentam estruturas mais desenvolvidas, muitas pequenas e médias empresas continuam “numa fase de evolução”, sendo necessário transformar o conhecimento técnico em práticas efectivas de governação.
Sobre os desafios que persistem na contratação pública e na indústria extractiva, a Directora Geral da NF-CONFOJUR aponta questões como conflitos de interesses, transparência dos procedimentos, fiscalização contratual e identificação dos beneficiários efectivos. Ainda assim, considera existirem hoje “ferramentas de compliance capazes de prevenir estes riscos” e de reforçar a confiança de todos os intervenientes.



