O Banco Comercial do Huambo (BCH) terminou o primeiro trimestre de 2026 com um activo total de 98,06 mil milhões de Kwanzas, reforçando a sua posição no sistema financeiro nacional e confirmando uma trajectória de crescimento que, nos últimos dois anos, acumulou uma expansão de 37,8%.
Os dados constam do Balancete Trimestral referente ao período de 1 de Janeiro a 31 de Março de 2026, divulgado pelo banco no seu sítio oficial na internet. O documento, que tem carácter preliminar e ainda não foi sujeito a auditoria externa, revela igualmente uma melhoria assinalável nos resultados operacionais da instituição.
O BCH é um banco regional de capitais inteiramente angolanos, cuja estrutura accionista é composta por cinco sócios fundadores — Natalino Lavrador, Sebastião Lavrador, Minoru Dondo, António Mosquito e Carlos Oliveira — e conta actualmente com seis agências espalhadas pelo país, uma no Huambo e cinco na capital, Luanda.
Numa análise comparativa com o período homólogo de 2024, os números mostram um banco em clara expansão. Em Março de 2024, o activo total do BCH situava-se nos 71,16 mil milhões de Kwanzas. Dois anos depois, esse valor ultrapassou os 98 mil milhões, o que equivale a um crescimento de quase 27 mil milhões de Kwanzas em termos absolutos.
O grande motor deste crescimento tem sido o aumento expressivo da carteira de Títulos e Valores Mobiliários, que passou de 27,97 mil milhões de Kwanzas em Março de 2024 para 64,64 mil milhões no primeiro trimestre deste ano — um salto de 131% que coloca esta rubrica como a principal componente do activo do banco, representando agora 65,9% do total.
No que respeita aos resultados do exercício de 2025, o Balancete de 31 de Dezembro revela que o banco encerrou o ano com um resultado operacional negativo de 13,61 mil milhões de Kwanzas, o valor mais elevado do período em análise e que reflecte as pressões sentidas ao longo desse exercício.
Apesar disso, o primeiro trimestre de 2026 trouxe sinais alentadores: o resultado operacional situou-se em -3,72 mil milhões de Kwanzas, uma melhoria de quase 10 mil milhões de Kwanzas face ao saldo de partida do ano, o que os analistas tendem a interpretar como um sinal positivo de recuperação da rendibilidade.
Os Depósitos de Clientes registaram igualmente um crescimento significativo quando comparados com Março de 2024, passando de 23,35 mil milhões para 32,46 mil milhões de Kwanzas no primeiro trimestre deste ano, apesar de uma ligeira contracção de 6,7% face ao fecho de 2025.
Os Fundos Próprios do banco cresceram de 44,18 mil milhões de Kwanzas em Março de 2024 para 58,26 mil milhões em Março de 2026, reforçando a solidez da instituição. O Capital Social manteve-se inalterado em 20 mil milhões de Kwanzas ao longo de todo o período, o que indica que a capitalização do banco tem assentado na retenção de resultados e não em aumentos de capital.
O BCH, que opera sob supervisão do Banco Nacional de Angola (BNA), afirma-se como um banco vocacionado para o apoio às micro, pequenas e médias empresas, contribuindo para o desenvolvimento socioeconómico das regiões centro e sul do país, com especial incidência na actividade económica agro-industrial.


