A aviação civil angolana atravessa um dos momentos mais frágeis da sua história recente no que toca à oferta de companhias aéreas em rotas domésticas regulares.
A conclusão é do portal Aviação de Angola, com base em dados oficiais da ANAC, e o diagnóstico é claro: a TAAG sustenta praticamente sozinha a conectividade aérea interna do país.
Os números confirmam a tendência. No segmento doméstico, somando voos regulares e não regulares, a transportadora estatal concentrou 79,5% de todos os passageiros transportados no período analisado.
A distância para os restantes operadores é considerável: a Bestfly Aircraft Management aparece em segundo lugar com 7,7%, seguida da SonAir com 5,2% — ambas com operações não regulares e presença bastante limitada.
O dado mais preocupante, porém, não é a liderança da TAAG, algo esperado num mercado historicamente concentrado.
O problema está no encolhimento do número de operadores com actividade real e regular. Companhias como a Fly Angola e a Air Two, que em anos anteriores tiveram presença visível no mercado interno, deixaram de registar peso estatístico relevante nos dados mais recentes — sinal de que a sua actividade operacional é hoje residual ou inexistente.
A estas juntam-se outros nomes que muitos angolanos ainda recordam. A Air 26, que chegou a operar rotas domésticas com alguma regularidade, desapareceu silenciosamente do panorama aéreo nacional sem qualquer explicação pública consistente.
A Diexim Express, que prometia democratizar o acesso ao transporte aéreo nas províncias mais remotas, também sumiu sem deixar rasto — mais uma promessa adiada num sector onde os anúncios costumam superar as entregas. São histórias que se repetem: empresas que surgem com ambição, captam expectativas, e desaparecem sem prestação de contas.
O resultado prático é um mercado sufocado, com menos opções para os passageiros e uma dependência crescente de um único operador para garantir as ligações aéreas entre províncias.
Angola nunca foi um exemplo de diversidade no transporte aéreo doméstico quando comparada com outros países africanos, mas o cenário actual é considerado um dos mais limitados dos últimos anos — um verdadeiro cemitério de companhias aéreas onde poucos sobrevivem e a TAAG reina sem concorrência real.
A questão que fica no ar é inevitável: até quando um país com dezoito províncias pode depender de uma única companhia para se ligar a si próprio?


