A sociedade de advogados Gama Glória prestou assessoria jurídica à startup angolana Anda na sua primeira ronda de investimento seed, que lhe garantiu três milhões de euros para acelerar o seu modelo de negócio inovador de mobilidade urbana.
Segundo o Jornal de Economia, com o financiamento angariado junto da Breega, Speedinvest, Double Feather Partners e 4DX Ventures, a empresa angolana tornou-se a primeira startup do país em operação e a primeira do espaço lusófono a conseguir angariar capital de risco de um consórcio internacional que junta investidores de França, Áustria, Japão e Estados Unidos.
Parte de um ecossistema ainda numa “fase muito embrionária”, a startup quer mostrar “que é possível recolher a atenção e a confiança de investidores de referência”, sublinhou Emerson Kachiungo, diretor de Tactical Opportunities da Anda, em declarações ao Jornal Económico (JE).
A empresa está a investir, com o capital angariado, no aumento da frota de veículos elétricos nas categorias de duas, três e quatro rodas, e também em tecnologia para inovar nas suas operações. E a chegada da mais recente frota – a Comfort Plus, que integra as primeiros Renault Kwid -, foi anunciada esta sexta-feira, dia 13 de fevereiro, numa parceria estratégica com a TDA – Paixão Automóvel e em colaboração com a Renault.
“A frota Comfort Plus representa o início de uma nova oferta da Anda, abrindo caminho para futuras soluções e reforçando o nosso compromisso com uma mobilidade cada vez mais eficiente, confiável e centrada nas pessoas”, lê-se num comunicado da startup.
Segundo Emerson Kachiungo, a startup partiu “do problema da informalidade do setor dos mototaxistas”. Só na capital angolana existem 600 mil, num total de 1,2 milhões, “a esmagadora maioria deles sem licença e sem seguro”, explica o mesmo responsável ao JE.
Entre os alicerces da startup está a Anda Academy, que se dedica à formação dos mototaxistas.
De acordo com o escritório Gama Glória, a história da Anda, nascida em 2023, “vai muito além do transporte”. “É um exemplo de como o direito, a tecnologia e a inclusão podem atuar em conjunto.
Ao integrar actividade informal num sistema digital regulado, a Anda demonstra que a inovação pode servir para reduzir a exclusão digital — desde que as ferramentas sejam desenhadas com um profundo conhecimento das rotinas da vida e de trabalho das pessoas que as utilizarão”, lê-se na página da sociedade fundada por João Taborda da Gama.
Citando dados do ‘Venture Capital and the Rise of Africa’s Tech Startups’ de 2025, da International Finance Corporation, a sociedade de advogados refere que apenas uma em cada três startups financiadas na África Subsaariana consegue obter o primeiro investimento de capital de risco nos cinco anos após a sua criação. “Este dado sublinha o caráter excecional desta conquista da Anda.
Para além do impacto imediato, o negócio revela uma crescente confiança dos investidores no ecossistema de inovação da região e abre novas vias para outras empresas que pretendam combinar tecnologia, inclusão e crescimento”.


