O ouro está em forte valorização. Os preços atingiram máximos históricos no final de Janeiro de 2026, ultrapassando a barreira dos 5 mil dólares por onça, e chegaram mesmo a aproximar-se dos 5500-5600 dólares, à medida que os investidores procuravam activos-refúgio num contexto de crescentes tensões geopolíticas, sobretudo entre os Estados Unidos da América (EUA) e o Irão.
Para além do brilho do metal precioso, as reservas de ouro e de divisas constituem a linha vital financeira de um país. Indicam o grau de preparação de uma nação para pagar as suas dívidas, apoiar a economia e resistir a choques globais — em suma, uma medida de solidez económica que não se consegue falsificar.
A Global Firepower acompanha estas reservas como um indicador-chave da força económica. Cerca de dois terços das reservas mundiais encontram-se na Ásia — China, Japão, Taiwan, Hong Kong e Coreia do Sul —, mas África tem a sua própria história para contar.
Em África, a Líbia lidera com 92,9 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro, ocupando a 31.ª posição mundial. Segue-se a Argélia, com 83,0 mil milhões, na 33.ª posição, enquanto a África do Sul detém 65,4 mil milhões, ocupando o 38.º lugar a nível global.
Abaixo apresentam-se os dez países africanos com as maiores reservas de divisas e ouro no início de 2026:
- Líbia (92,9 mil milhões de dólares)
A Líbia lidera esta lista africana, sobretudo devido à sua riqueza petrolífera. O país detém 92,9 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro, ocupando a 31.ª posição mundial, segundo a Global Firepower. Grande parte deste stock foi acumulado durante anos de fortes receitas petrolíferas e permanece relativamente intocado devido à instabilidade política, às sanções e a uma governação fragmentada.
Embora o valor das reservas seja impressionante no papel, os economistas salientam que a Líbia tem tido dificuldades em converter esta força financeira em estabilidade económica sustentada. Os desafios de governação e as divisões institucionais continuam a limitar a utilização eficaz destas reservas.
- Argélia (83,0 mil milhões de dólares)
A Argélia ocupa a 33.ª posição mundial, com 83,0 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro. Estas almofadas financeiras resultam sobretudo das exportações de hidrocarbonetos, em especial das vendas de gás natural para a Europa.
- África do Sul (65,4 mil milhões de dólares)
A África do Sul detém 65,4 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro, ocupando a 38.ª posição mundial. Ao contrário de muitos países comparáveis, as suas reservas são apoiadas por exportações diversificadas, mercados financeiros profundos e uma produção mineira significativa, particularmente de ouro e platina. Embora o nível das reservas seja elevado em termos africanos, desafios persistentes — incluindo escassez de energia, crescimento económico fraco e pressão orçamental — continuam a influenciar a confiança dos investidores e os fluxos de capitais.
- Egipto (44,9 mil milhões de dólares)
O Egipto ocupa a 47.ª posição mundial, com 44,9 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro. Estas reservas são sustentadas por receitas do turismo, remessas, rendimentos do Canal do Suez e financiamento externo. Nos últimos anos, o apoio dos países do Golfo e o crédito multilateral desempenharam um papel fundamental na manutenção dos níveis de reservas face às pressões cambiais.
- Nigéria (38,6 mil milhões de dólares)
A Nigéria detém 38,6 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro, ocupando a 53.ª posição mundial. A posição das reservas está intimamente ligada às exportações de petróleo, que continuam a ser a principal fonte de entrada de dólares no país. Apesar da sua riqueza petrolífera, o crescimento das reservas tem sido limitado por desafios na produção e por uma forte procura de importações.
- Marrocos (37,1 mil milhões de dólares)
Marrocos ocupa a 54.ª posição mundial, com 37,1 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro. Ao contrário de países fortemente dependentes de recursos naturais, as reservas marroquinas reflectem uma economia diversificada, assente na exportação de automóveis, agricultura, fosfatos, turismo e remessas. Uma gestão macroeconómica prudente e fortes laços comerciais com a Europa ajudaram a sustentar os níveis de reservas.
- Angola (14,2 mil milhões de dólares)
Angola detém 14,2 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro, ocupando a 71.ª posição mundial. A posição das reservas é largamente moldada pelas receitas petrolíferas, que dominam as exportações e as receitas do Estado. Períodos de preços elevados do petróleo ajudaram a reconstruir as reservas após anos de declínio causados pelo serviço da dívida e pela contracção económica.
- Quénia (10,1 mil milhões de dólares)
O Quénia ocupa a 77.ª posição mundial, com 10,1 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro. Ao contrário das economias dependentes do petróleo, as reservas quenianas são sustentadas por remessas, exportações de chá e horticultura e serviços. Estas reservas são utilizadas sobretudo para cobrir importações e gerir obrigações da dívida externa.
- Tunísia (9,3 mil milhões de dólares)
A Tunísia detém 9,3 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro, ocupando a 81.ª posição mundial. A posição das reservas reflecte desafios económicos persistentes, incluindo crescimento lento, défices orçamentais e dependência de financiamento externo. O turismo e as remessas continuam a ser fontes-chave de divisas, mas a incerteza política e o atraso nas reformas têm pesado sobre as entradas de capital.
- Costa do Marfim (7,4 mil milhões de dólares)
A Costa do Marfim ocupa a 86.ª posição mundial, com 7,4 mil milhões de dólares em reservas de divisas e ouro. Sendo o maior produtor mundial de cacau, as receitas de exportação desempenham um papel central no apoio às reservas. A integração na zona do franco CFA proporciona estabilidade cambial adicional através da gestão regional das reservas. O forte crescimento económico e o investimento em infra-estruturas têm sustentado os fluxos de capitais, embora a exposição às flutuações dos preços das matérias-primas continue a representar um risco.
Fonte: Business Insider Africa


